A Polícia Federal (PF) prendeu nove pessoas nesta quinta-feira (2) no Rio Grande do Sul, sob suspeita de torturar bebês, crianças e animais domésticos, gravar as agressões e vender os vídeos na internet. A operação, deflagrada nas cidades de Bagé, Candiota e Canoas, cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e nove de prisão preventiva, todos expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé. As investigações apontam que os suspeitos atuavam em uma rede organizada de produção e comercialização de conteúdo violento, sem motivação sexual, mas com indícios de episódios reiterados de violência física e psicológica, incluindo sufocamento e asfixia.
De acordo com a PF, as vítimas ainda estão sendo identificadas, mas nos casos já localizados, os responsáveis legais não tinham conhecimento das práticas investigadas. Entre as vítimas identificadas nas gravações estão dois bebês, uma criança e um adolescente. A apuração sobre a situação familiar será aprofundada em uma segunda etapa, com oitiva dos familiares e das próprias vítimas. Não houve morte de crianças nem de animais relacionada aos fatos investigados.
A investigação teve início a partir de um encontro fortuito de provas. Durante outra operação realizada no ano passado, a PF apreendeu o celular de um investigado e, na análise do aparelho, encontrou cerca de 80 vídeos que deram origem à nova investigação. As gravações mostravam atos de violência contra crianças e animais, e as apurações indicam que o conteúdo pode ter sido comercializado com usuários em outros locais do país, por meio de plataformas digitais.
Esquema organizado e funções distintas
Segundo a PF, os investigados teriam desempenhado diferentes funções no esquema, incluindo a produção e o envio do material audiovisual. As práticas investigadas envolviam sufocamento e asfixia, e os vídeos eram produzidos para comercialização. Não há indícios de motivação sexual, conforme a investigação. Os suspeitos poderão responder por imposição intencional de sofrimento físico ou mental contra crianças ou adolescentes, maus-tratos a animais e organização criminosa.
A operação desta quinta-feira reflete um esforço mais amplo das autoridades brasileiras no combate a crimes de violência contra crianças e animais, especialmente aqueles que envolvem a produção e disseminação de conteúdo ilegal na internet. Casos semelhantes têm sido investigados em outros estados, como São Paulo e Minas Gerais, onde redes de compartilhamento de material violento foram desmanteladas nos últimos meses. A atuação da PF no Rio Grande do Sul reforça a necessidade de cooperação entre forças de segurança e plataformas digitais para identificar e punir responsáveis por esses crimes.
A PF destaca que a investigação continua em andamento, com novas fases previstas para aprofundar a identificação de vítimas e responsabilizar todos os envolvidos. A população pode denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes pelo Disque 100, e maus-tratos a animais pelo 181.
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