As sanções adotadas pelos Estados Unidos contra dois cidadãos brasileiros supostamente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) poderiam ter sido mais eficazes se a cooperação técnica entre os dois países não tivesse passado por um processo de ‘esfriamento’, segundo assessores do governo brasileiro. O episódio expõe o distanciamento diplomático entre Brasília e Washington, que se intensificou após mudanças de comando no governo norte-americano e a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas.
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quer usar o episódio atual para convencer a equipe do presidente norte-americano Donald Trump sobre a importância de manter a colaboração entre órgãos americanos e brasileiros. Segundo assessores presidenciais, a cooperação técnica no combate ao crime organizado era ‘muito boa’, mas acabou passando por um processo de ‘esfriamento’ no governo Trump antes inclusive da decisão de classificar PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Sanções unilaterais e impacto no Brasil
A medida foi anunciada no fim de maio pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. No comunicado, o governo americano argumentou que a atuação das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da região e os Estados Unidos. A determinação, que entrou em vigor em junho, contrariou os pedidos do governo federal e abriu espaço para ações mais duras e unilaterais dos Estados Unidos, como sanção de cidadãos e empresas brasileiras e, em último caso, intervenção direta no território nacional.
O governo brasileiro se queixa de não ter recebido nenhum pedido de cooperação internacional antes das sanções adotadas contra o casal Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Se isso tivesse acontecido, o Brasil poderia ter adotado medidas dentro do país contra o esquema criminoso sancionado pelo governo americano, como bloqueio de contas. ‘Não recebemos nenhum tipo de pedido de cooperação internacional neste caso’, diz um assessor presidencial, o que não acontecia antes.
Trocas de comando e esfriamento diplomático
Esse esfriamento começou depois que houve trocas de comando nos Estados Unidos, como no Departamento de Justiça americano, com a chegada de pessoas mais afinadas com a linha ideológica do secretário de Estado Marco Rubio. E se intensificou depois da classificação das organizações criminosas no Brasil como terroristas, no começo de junho. O governo brasileiro se queixa de não ter recebido nenhum pedido de cooperação internacional antes das sanções adotadas contra o casal, o que não acontecia antes.
Agora, o governo brasileiro vai insistir na sua proposta de intensificar, e não interromper, a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou, em encontro com Trump, essa proposta de cooperação, mas até hoje não recebeu nenhuma resposta. Ainda em relação à operação desta quarta-feira (1º), a equipe do presidente Lula destaca que ela não teve grandes impactos no Brasil, mas teme que a falta de diálogo possa enfraquecer ações conjuntas futuras.
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