Papa Leão XIV usa 4 de Julho para homenagear imigrantes mortos no Mediterrâneo e criticar políticas de Trump

O Papa Leão XIV, primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos da história, passou o sábado (4) na ilha siciliana de Lampedusa para homenagear as dezenas de milhares de pessoas que morreram tentando cruzar o Mediterrâneo em busca de liberdade e prosperidade, enquanto os EUA celebravam o 250º aniversário da Declaração de Independência com comícios, festas e fogos de artifício. A visita ocorre em meio a embates diretos com o governo Trump devido às duras medidas de imigração adotadas pela administração republicana, e envia uma mensagem fortemente simbólica tanto aos Estados Unidos quanto à Europa sobre a obrigação cristã de defender a dignidade de cada ser humano, especialmente dos migrantes e dos mais vulneráveis.

Uma faixa de rocha sem árvores de 9 quilômetros (5,6 milhas) de extensão, Lampedusa fica mais próxima da África do que da Itália continental e é a principal porta de entrada na Europa para centenas de milhares de migrantes que cruzam o mar de barco vindos da Líbia ou da Tunísia, muitas vezes contrabandeados por traficantes de pessoas. Nos últimos anos, a ilha tornou-se o ‘Marco Zero’ do debate sobre a migração na Europa, no momento em que o continente enfrenta pressões crescentes de fluxos migratórios e políticas de contenção cada vez mais duras.

Leão encontrou-se com alguns migrantes no porto e depois caminhou sozinho pelas rochas pontiagudas do cais, com o vento agitando sua batina e levando seu solidéu enquanto olhava para o mar. Em seguida, abençoou uma placa que dedica a doca ao Papa Francisco, que a visitou em 2013, antes de celebrar a missa em terra firme. “Este é um lugar onde os gestos falam mais alto que as palavras”, disse Leão. “Mas para que os gestos sejam humanos, eles precisam de um coração.”

Em uma carta enviada aos americanos no aniversário de 4 de julho, Leão insistiu que proteger os nascituros e toda a vida humana também significa “acolher, proteger e assistir os imigrantes, cujas esperanças, sacrifícios e contribuições fazem parte da história deste país desde o seu início”. “Recebê-los com compaixão e generosidade não é apenas um ato de caridade, mas também o reconhecimento da dignidade que pertence a cada pessoa humana”, escreveu Leão.

A visita ocorre em um contexto de polarização política nos EUA, onde a festa de 250 anos da independência se transformou em uma ‘guerra cultural’, com republicanos e democratas disputando a narrativa sobre os valores fundadores do país. Enquanto isso, na Europa, o debate sobre migração se intensifica, com países como Itália, França e Alemanha adotando medidas restritivas e a União Europeia buscando um consenso sobre o tema. A escolha de Leão por Lampedusa no 4 de Julho reforça a posição do Vaticano em defesa dos direitos dos migrantes, em contraste com as políticas de fechamento de fronteiras e deportações em massa promovidas por Trump.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *