Menino de 9 anos é resgatado após viver trancado em banheiro de bar e sofrer agressões em Goiás

Uma criança de 9 anos foi resgatada pela Polícia Civil de Goiás após viver trancada em um banheiro de um bar em Aparecida de Goiânia, onde dormia sobre um tapete de crochê e comia no mesmo local, conforme revelou a delegada Sayonara Lemgruber. O menino disse à investigadora que era mantido naquela situação por ser “teimosa”, justificativa que a autoridade classificou como inaceitável. “Ela justifica que era mantida nessa situação por ser teimosa. É uma criança doce, educada, tranquila. Nada justifica essa situação ainda que fosse teimosa”, esclareceu a delegada. O pai e a madrasta foram presos em flagrante na quinta-feira (2) e permaneciam detidos até as 14h desta sexta-feira (3). Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, e a defesa não foi localizada. Em depoimento, ambos ficaram em silêncio. A Polícia Civil informou que a criança passava horas dentro do banheiro, comia no local e dormia em cima de um tapete.

De acordo com a delegada Sayonara Lemgruber, a criança também não frequentava a escola e era mantida trancada durante a noite e parte do dia. “O bar supostamente abria 5 horas da tarde, quando a criança era retirada do banheiro para que os frequentadores e pessoas que trabalham não soubessem dessa situação”, relatou a investigadora. Durante o período de funcionamento do estabelecimento, o menino ficava fora do banheiro, sentado ou ajudando na limpeza, mas depois era novamente confinado. À noite, dormia sobre um tapete de crochê no chão do cômodo, que media aproximadamente 1,5 metro quadrado.

Agressões e acolhimento

Além do confinamento, o menino relatou à delegada que sofria agressões físicas. “A criança narrou que era agredida algumas vezes, com fio pelo pai, mas também já foi agredida pela madrasta com alguns utensílios da cozinha”, disse Sayonara Lemgruber em entrevista à TV Anhanguera. A delegada destacou que os dois suspeitos podem responder por maus-tratos, com aumento de pena devido à idade da vítima. O menino foi acolhido pelo Conselho Tutelar e encaminhado a um abrigo. A mãe biológica foi localizada em Goiânia, mas a criança permanecerá sob proteção até que o ambiente familiar seja avaliado para que algum parente possa assumir a guarda.

O caso, ocorrido em Aparecida de Goiânia, região metropolitana da capital goiana, levanta alertas sobre a fragilidade das redes de proteção infantil no estado. Dados do Conselho Tutelar local indicam que, em 2025, foram registrados mais de 1.200 casos de violência contra crianças e adolescentes na cidade, sendo 30% deles envolvendo maus-tratos domésticos. A situação expõe a necessidade de maior fiscalização em estabelecimentos comerciais e de fortalecimento dos mecanismos de denúncia, como o Disque 100. A Polícia Civil segue investigando o caso, e a Justiça deve decidir sobre a prisão preventiva dos suspeitos nos próximos dias.

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