A Copa do Mundo de 2022, sediada no Catar, já é considerada a mais cara da história, e o torcedor que quiser ver a seleção brasileira ao vivo nos estádios pode desembolsar até R$ 14 mil. O valor inclui ingressos, hospedagem, alimentação e transporte, segundo levantamento divulgado pelo portal TNH1. O montante representa um salto significativo em relação a edições anteriores, impulsionado por fatores como a alta demanda por acomodações limitadas e o custo elevado dos bilhetes para jogos de alto interesse, como os da seleção canarinho.
O cálculo leva em conta os preços praticados no mercado oficial e paralelo de ingressos, além de diárias de hotéis e passagens aéreas. Apenas os bilhetes para partidas do Brasil, que incluem a fase de grupos e possíveis avanços no mata-mata, podem variar de R$ 2 mil a R$ 6 mil, dependendo da categoria e do jogo. A hospedagem, por sua vez, é o item que mais pesa no orçamento: com a capacidade hoteleira limitada do Catar, diárias em quartos simples chegam a custar mais de R$ 1,5 mil, enquanto pacotes em navios-cruzeiro ou acomodações em países vizinhos, como os Emirados Árabes Unidos, exigem deslocamentos adicionais de avião.
Panorama econômico e social da Copa
O alto custo para acompanhar a seleção brasileira reflete um fenômeno mais amplo: a elitização do evento esportivo. Especialistas apontam que a Copa do Catar, com investimentos estimados em US$ 220 bilhões, consolidou um modelo de torneio que privilegia públicos de alta renda, deixando de lado a tradição de acesso popular que marcou edições anteriores, como as realizadas no Brasil (2014) e na Rússia (2018). A concentração de jogos em um território pequeno, com pouca oferta de moradias acessíveis, elevou os preços de forma generalizada, afetando não apenas os brasileiros, mas torcedores de todas as nacionalidades.
Dados da FIFA indicam que mais de 1,2 milhão de ingressos foram vendidos para a fase de grupos, com demanda aquecida especialmente para partidas de seleções tradicionais. No entanto, relatos de torcedores que desistiram de viajar por causa dos custos se multiplicam nas redes sociais. A situação acendeu um debate sobre a sustentabilidade financeira do modelo de Copas do Mundo, que, a cada edição, parece se distanciar do torcedor comum.
Impacto político e alternativas para o torcedor
O cenário também tem implicações políticas. Governos de países como o Brasil, que tradicionalmente enviam grandes delegações de torcedores, enfrentam pressão para oferecer alternativas, como linhas de crédito especiais ou parcerias com agências de viagem. No entanto, até o momento, não há anúncios oficiais de subsídios. Enquanto isso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recomenda que os torcedores adquiram ingressos apenas por canais oficiais para evitar fraudes e superfaturamento.
Para quem não pode arcar com os valores, a alternativa tem sido acompanhar os jogos em bares, casas de amigos ou em espaços públicos com telões, como os que serão montados em várias capitais brasileiras. Ainda assim, a experiência de ver o Brasil ao vivo, em um estádio, tornou-se um privilégio para poucos, reforçando a percepção de que a Copa mais cara da história também é a mais excludente.
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