Em menos de 48 horas, dois detentos morreram em presídios de Maceió, capital de Alagoas, em ocorrências distintas que já são investigadas pela Polícia Civil. Os óbitos, registrados entre os dias 5 e 6 de abril de 2025, ocorreram em unidades prisionais diferentes e acenderam um alerta sobre as condições do sistema carcerário alagoano, que enfrenta problemas crônicos de superlotação e violência. As autoridades ainda não divulgaram as identidades das vítimas nem as causas oficiais das mortes, mas as investigações estão em andamento para esclarecer os fatos.
O primeiro caso foi registrado na noite de sábado (5), em uma unidade prisional da região metropolitana de Maceió. O detento, que cumpria pena por roubo, foi encontrado sem vida em sua cela por agentes penitenciários durante uma ronda de rotina. Equipes do Instituto Médico Legal (IML) foram acionadas para remover o corpo, e a Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias. Testemunhas e funcionários da unidade estão sendo ouvidos, e a perícia inicial não apontou sinais de violência aparente, mas a hipótese de homicídio não está descartada.
O segundo óbito ocorreu na manhã de domingo (6), em outro presídio da capital, a cerca de 10 quilômetros do primeiro local. Desta vez, a vítima era um detento de 34 anos, condenado por tráfico de drogas. Segundo informações preliminares da Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), o preso passou mal durante o banho de sol e foi socorrido pela equipe de saúde da unidade, mas não resistiu. A Polícia Civil também investiga esse caso, e o corpo foi encaminhado para necropsia no IML de Maceió.
Crise no sistema prisional de Alagoas
As duas mortes em sequência reacendem o debate sobre a segurança e as condições dos presídios em Alagoas, estado que, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), possui uma das maiores taxas de ocupação carcerária do Brasil, com déficit de vagas que ultrapassa 200%. A superlotação, aliada à falta de investimentos em infraestrutura e à precariedade dos serviços de saúde, tem sido apontada por especialistas como um dos principais fatores para o aumento de óbitos dentro do sistema prisional.
Em 2024, o estado registrou ao menos 15 mortes de detentos em presídios, a maioria por causas violentas ou por doenças não tratadas adequadamente. Organizações de direitos humanos, como a Pastoral Carcerária, denunciam que as unidades prisionais alagoanas operam com capacidade muito acima do limite, o que gera tensão constante entre os presos e dificulta o trabalho dos agentes penitenciários.
A Polícia Civil de Alagoas informou, por meio de nota, que as investigações dos dois casos estão em estágio inicial e que não há, até o momento, indícios de ligação entre as mortes. A corporação também destacou que aguarda os laudos periciais para definir as causas dos óbitos e que todas as hipóteses, incluindo homicídio, suicídio e morte natural, estão sendo consideradas.
Reações e medidas
O Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas (Sindapen-AL) criticou a falta de condições de trabalho e a ausência de políticas efetivas de ressocialização. Em nota, a entidade afirmou que as mortes são reflexo de um sistema quebrado e cobrou do governo estadual ações urgentes, como a construção de novas unidades prisionais e a ampliação de programas de saúde e educação para os detentos.
Procurada, a Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) não se pronunciou oficialmente até o fechamento desta reportagem, mas fontes internas indicam que uma sindicância foi aberta para apurar as responsabilidades nas duas unidades. O governo de Alagoas, por sua vez, anunciou em fevereiro deste ano um plano de reforma do sistema prisional, com previsão de investimentos de R$ 50 milhões em melhorias estruturais e na ampliação de vagas, mas as obras ainda não foram iniciadas.
Enquanto as investigações prosseguem, as famílias das vítimas aguardam respostas. A Defensoria Pública do Estado informou que acompanhará os casos para garantir que os direitos dos detentos e de seus familiares sejam respeitados. A sociedade civil, por meio de coletivos de direitos humanos, também promete monitorar o desenrolar dos inquéritos e cobrar transparência das autoridades.
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