Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro em meio a ameaça de tarifaço dos EUA: ‘provocação’ e ‘ajoelhamento’

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, criticou duramente as posturas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação à ameaça de um novo tarifaço pelo governo dos Estados Unidos, em entrevista ao Flow Podcast na noite desta quarta-feira (8). Para o ex-governador de Goiás, enquanto Lula provoca o presidente americano Donald Trump em busca de retorno eleitoral, Flávio Bolsonaro se ajoelha aos interesses dos EUA, comprometendo a soberania nacional. A fala ocorre em um momento de tensão diplomática, com prazo para acordo bilateral se encerrando em 15 de julho.

Segundo Caiado, a postura de Lula é calculada para repetir o que ocorreu em eleições no Canadá e na Austrália, onde Trump entrou em embate com candidatos adversários que acabaram eleitos. “O que foi que o Lula percebeu: se eu provocar o Trump bastante, eu vou ter a chance, como aconteceu com o candidato no Canadá e na Austrália”, afirmou. O presidenciável do PSD acrescentou que Lula usa uma “falsa tese de soberania”, enquanto, na prática, “entregou o Brasil para os bandidos, pros corruptos, PCC, pro Comando Vermelho, para as facções”.

Em relação a Flávio Bolsonaro, Caiado considerou um erro o envio de um documento ao governo Trump pedindo que não se tarifem produtos brasileiros até as eleições de outubro. “Aí você para e pensa: vem cá, onde é que está o Brasil nisso aí? Raciocina bem: um que provocou para ter o benefício de ir na soberania. O outro, entrega de bandeja um documento assinado, dizendo o seguinte: ‘Olha, não tarife até a eleição’”, disse o ex-governador, defendendo uma postura de diálogo e preparo diplomático.

Contexto do tarifaço e panorama político

A ameaça de novas tarifas foi proposta em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que sugere a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. A investigação americana acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio, incluindo o sistema PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. O prazo para um acordo se encerra em 15 de julho, e o governo brasileiro corre contra o tempo para chegar a um entendimento.

As declarações de Caiado refletem um cenário político polarizado, onde a crise comercial com os EUA se torna mais um campo de disputa entre os principais pré-candidatos à Presidência. Enquanto Lula busca capitalizar a resistência a Trump, Flávio Bolsonaro tenta evitar sanções que prejudiquem a economia, mas é acusado de submissão. A fala de Caiado, que se coloca como alternativa de centro, busca explorar o desgaste de ambos os lados, defendendo uma posição de “resgate do Itamaraty e da chancelaria brasileira”.

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