O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta quinta-feira (9), a Operação Ouroboros, que investiga um esquema milionário de corrupção no governo estadual, resultando na prisão de Mauricio Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL). Durante o cumprimento do mandado, agentes encontraram oito unidades de munição de pistola 9mm na residência do investigado, no bairro do Anil, Zona Sudoeste do Rio. A munição estava no escritório de Mauricio, que confirmou ser o proprietário e que as balas estavam no local havia “muito tempo”. Ele responderá por posse ilegal de munição de uso restrito, crime com pena de até seis anos de prisão. Além disso, Mauricio é diretor de Planejamento e Projetos do Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia vinculada à Secretaria Estadual de Governo, criada em 2018 para articular o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio. As investigações apontam que, desde 2022, o IRM realizou licitações fraudulentas e direcionadas, contratando as empresas Engeconsult Consultores Técnicos e R Peotta Engenharia e Consultoria. Em seguida, essas empresas celebraram subcontratos fictícios com a Brazilian Institute of Organic — Instituto Bio, para depositar parte dos valores recebidos do IRM. O dinheiro era posteriormente sacado da conta do Instituto Bio, sob escolta da Rioforte. Só em 2023, a Engeconsult recebeu um acréscimo de R$ 58 milhões por meio de aditivos contratuais. A denúncia classifica Caroline Soares Barros como a “Mulher da Mala”: no dia 9 de janeiro, ela foi surpreendida por agentes da 110ª DP (Teresópolis) ao tentar sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária, escoltada por funcionários da Rioforte. Ao todo, Caroline realizou 13 saques, totalizando pouco mais de R$ 3 milhões.
O deputado Alexandre Knoploch afirmou ter recebido com “surpresa” as informações sobre a operação e negou qualquer influência na nomeação do pai no IRM, classificando o currículo de Mauricio como “admirável”. “Espero que se apure tudo que está acontecendo. Estou em paz”, declarou. Knoploch acrescentou que, por ser político, tem sofrido mensagens para “depreciar” seu mandato. “A gente apanha por coisas que são nossas e, muitas vezes, por coisas que não são nossas de forma direta”, disse. A Engeconsult, em nota, afirmou desconhecer o teor das investigações e qualquer documento relacionado. O g1 tenta contato com a defesa de Mauricio Knoploch.
Panorama político e impacto
A Operação Ouroboros expõe um esquema de corrupção que envolve contratos públicos milionários no estado do Rio de Janeiro, com ramificações que alcançam o legislativo estadual. A prisão de Mauricio Knoploch, pai de um deputado em exercício, levanta questionamentos sobre a transparência e o controle de nomeações em órgãos públicos. O caso se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre desvios de recursos públicos no Brasil, como a operação que mira Chiquinho Brazão e outros condenados por desvio de R$ 100 milhões em emendas parlamentares, e a operação que prendeu o diretor do Rio Metrópole e o presidente da instituição em esquema de R$ 86 milhões. Além disso, a descoberta de munição de uso restrito na residência de um investigado reforça a preocupação com a segurança pública e o acesso a armamentos ilegais no estado. A operação também ocorre em meio a outras ações da Polícia Federal, como a nova fase da Operação Unha e Carne, que mira pastor, bicheiro e ex-deputado em esquema com o Comando Vermelho, e a operação no Ceará que mira o presidente da Câmara de Jaboatão e ex-deputado por suposto envolvimento em duplo homicídio na Praia do Futuro. Esses casos evidenciam um padrão de corrupção e violência que desafia as instituições e exige respostas rápidas e eficazes do sistema de justiça.
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