Uma quadrilha suspeita de furtar minério de ferro de uma mineradora desativada e interditada pela Polícia Federal, a Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra), foi presa na manhã desta sexta-feira (10), no bairro Taquaril, na Região Leste de Belo Horizonte. A ação ocorreu na Rua Professor Navantino Alves, após moradores denunciarem movimentação suspeita no local. A Polícia Militar informou que os criminosos retiravam minério da antiga Mina Corumi, na Serra do Curral, área que permanece interditada desde abril de 2025, quando a PF concluiu inquérito apontando uso de plano de recuperação ambiental como fachada para extração ilegal por mais de uma década.
Ao chegarem ao local, os militares abordaram vários homens que estariam retirando minério de ferro da mineradora. Caminhões e um veículo utilizados na ação foram apreendidos. De acordo com a PM, há suspeita de que uma empresa esteja por trás dos furtos, que, segundo a corporação, ocorrem com frequência na área. A polícia informou ainda que a operação desta sexta resultou na prisão de um grupo considerado especializado nesse tipo de crime. A ocorrência segue em andamento. O g1 entrou em contato com a Empabra e aguarda retorno.
Relembre o caso da interdição
Em abril deste ano, a Polícia Federal concluiu um inquérito que apontou que a Empabra utilizou um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) para encobrir a extração ilegal de minério na Mina Corumi, na Serra do Curral, entre 2014 e 2025. Segundo a investigação, a empresa criou grandes cavas de mineração sob a justificativa de executar obras de recuperação ambiental. A PF afirma que a exploração provocou impactos ambientais, como a destruição de nascentes e cursos d’água, entre eles o Córrego Taquaril, além de possível contaminação do lençol freático. A investigação faz parte da Operação Parcours, que também apura o envolvimento de servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) e levou ao pedido de bloqueio de bens e de busca e apreensão contra ex-gestores ligados à mineradora.
Em nota à época, a Empabra negou irregularidades e afirmou que todas as atividades realizadas na Mina Corumi foram autorizadas pelos órgãos competentes. A empresa também disse que a retirada de material no local era necessária para garantir a segurança ambiental e reiterou que pretende concluir a recuperação da área para transformá-la em um corredor ecológico. O cenário revela um contexto de fragilidade na fiscalização de áreas minerárias interditadas, onde o crime organizado encontra brechas para atuar, enquanto a população do entorno convive com riscos ambientais e de segurança.
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