Dois homens suspeitos de assassinar o caseiro Milton Souza Prado, de 44 anos, em Franca (SP), foram encontrados mortos em Sacramento (MG) nesta sexta-feira (10). As vítimas, identificadas como Rafael Vitor Silva, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo, de 22 anos, estavam desaparecidas desde o crime ocorrido no mês passado. A Polícia Civil investiga a hipótese de que uma parente de Milton tenha contratado os dois para executá-lo, e agora a mesma mulher é suspeita de envolvimento na morte dos criminosos e no sequestro de três pessoas — uma mulher, sua filha e uma recém-nascida —, ocorrido no início da semana. A suspeita, cuja identidade não foi revelada, está foragida e é procurada pelas autoridades.
De acordo com informações da EPTV, afiliada da TV Globo, a Polícia Civil apura se o sequestro está diretamente ligado à morte do caseiro e dos suspeitos. A investigação considera a possibilidade de uma represália ou pressão de criminosos para que o paradeiro de Rafael e Guilherme fosse revelado. O caso corre sob sigilo na Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Descoberta do cativeiro e libertação das vítimas
Na terça-feira (7), a Polícia Civil libertou três pessoas que estavam em cárcere privado desde segunda-feira (6), em uma casa no bairro Jardim Aeroporto III, em Franca. As vítimas — uma avó, sua filha e uma neta recém-nascida — foram localizadas após uma denúncia anônima. Segundo o delegado Gabriel Fernando, elas tiveram os celulares subtraídos e foram mantidas trancadas sob vigilância. As três são parentes da mulher investigada pelos homicídios.
Durante a operação, um homem que fazia a segurança do local tentou fugir, mas foi preso. Ele deve responder por sequestro, roubo de celulares, falsa identidade, resistência, associação criminosa e fraude processual. “Assim que ele visualizou as equipes, tentou correr, quebrou o celular, pulou o muro, mas foi perseguido e contido. Ele tentou partir para cima da equipe, razão pela qual teve que ser imobilizado”, detalhou o delegado.
Panorama político e social
O caso expõe a complexa teia de violência que envolve crimes rurais e urbanos na região de Franca, um polo calçadista do interior paulista. A morte de um trabalhador rural, seguida pelo assassinato dos suspeitos e pelo sequestro de familiares, levanta questões sobre a atuação de grupos criminosos e a fragilidade da segurança pública em áreas de transição entre o campo e a cidade. A investigação, sob sigilo, também reflete a dificuldade de coibir a contratação de pistoleiros e a escalada de represálias, que colocam em risco não apenas os envolvidos, mas também inocentes, como a recém-nascida mantida em cativeiro.
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