O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta sexta-feira (10) que viajará ao Brasil no próximo dia 25 de julho para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em entrevista à rádio NOW, Milei disse que estará em São Paulo para a cerimônia de oficialização do senador pelo PL como candidato ao Palácio do Planalto. O gesto insere-se em uma ofensiva coordenada da direita sul-americana, que nos últimos meses vem consolidando alianças regionais com viés antissocialista.
Na mesma entrevista, Milei confirmou que aproveitará a viagem para ir também a Brasília, onde visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O encontro, segundo o mandatário argentino, reforça a sintonia ideológica entre os dois líderes e sinaliza a continuidade do projeto político da chamada “maré azul” no continente. A expressão, utilizada por conservadores para designar o avanço de forças de direita na América Latina, ganhou força após as recentes vitórias eleitorais no Peru e na Colômbia.
Milei também confirmou presença nas cerimônias de posse de dois presidentes de direita que assumem na América do Sul: Keiko Fujimori, do Peru, no fim do mês; e Abelardo de la Espriella, na Colômbia, no início de agosto. A agenda reforça a articulação regional de líderes que se opõem abertamente ao socialismo e à esquerda, campo político associado à cor vermelha. A movimentação ocorre em um momento de polarização acentuada no Brasil, onde as eleições de outubro opõem o campo bolsonarista ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Encontro em Buenos Aires e discurso de Flávio Bolsonaro
No dia 29 de junho, Milei publicou uma foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro, que estava em viagem a Buenos Aires. Na legenda, o argentino afirmou que “vem aí a maré azul para o Brasil”. Flávio Bolsonaro repostou a imagem com agradecimentos: “Obrigado por todo carinho e consideração, Javier Milei. Você é um exemplo para o mundo. Que a maré azul liberte todas as Américas”. O parlamentar viajou à Argentina para participar da Latin America Chairmen’s Conference, evento da comunidade judaica.
No dia 28, Flávio discursou na abertura da conferência, mencionou as recentes vitórias da direita na América do Sul, como no Peru e na Colômbia, e disse que os brasileiros sentem “inveja” de seus vizinhos sul-americanos. “Nós, brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa. E estou aqui para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda”, declarou. O senador também criticou a política econômica do governo Lula e de outros países da América Latina governados pela esquerda, afirmando que o Brasil “voltará a ser irmão da Argentina”. “Enquanto o presidente Milei punha ordem na casa, Lula desordenava a nossa”, completou.
A foto dos dois políticos foi postada no perfil oficial do governo da Argentina com a legenda: “O presidente Javier Milei junto com o senador e candidato à Presidência da República Federativa do Brasil, Flávio Bolsonaro”. O movimento insere-se em um contexto de realinhamento geopolítico na região, onde líderes de direita buscam fortalecer laços bilaterais e construir uma frente comum contra o que chamam de “socialismo do século XXI”. A visita de Milei ao Brasil, portanto, não se limita a um gesto de apoio pessoal, mas representa um marco na tentativa de consolidar uma rede de governos conservadores na América do Sul.
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