Flávio Bolsonaro defende Valdemar Costa Neto após bloqueio de R$ 119 milhões por suspeita de desvio de emendas

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) saiu em defesa do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do dirigente partidário, nesta sexta-feira (10). A decisão foi motivada por uma representação da Polícia Federal (PF) que aponta indícios de desvio de dinheiro público por meio de emendas parlamentares indicadas irregularmente por Valdemar, que não exerce mandato eletivo. O caso expõe tensões entre os Poderes e reacende o debate sobre o controle de emendas e a seletividade de investigações no país.

Em publicação no perfil do X, Flávio Bolsonaro classificou a ação como “lamentável” e acusou a PF de atuar de forma seletiva para “constranger um adversário político do atual governo”. “Tenho certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados”, escreveu. O senador também argumentou que a atuação de Valdemar é regular, por ser presidente do maior partido do Brasil, e que é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, especialmente os do PL. A declaração ocorre em meio a um cenário de crise interna no partido, que recentemente enfrentou rachas envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o próprio Flávio.

A investigação da PF, que levou ao bloqueio, aponta que Valdemar Costa Neto, mesmo sem mandato, controlava a indicação de emendas parlamentares dentro da Câmara dos Deputados, com a ajuda de três servidores da Casa. A base das suspeitas são diálogos encontrados no celular de uma ex-servidora da Câmara, nos quais o presidente do PL aparece decidindo valores, escolhendo municípios e trocando destinos de emendas. As indicações eram planilhadas e encaminhadas aos ministérios responsáveis por programas, utilizando nomes de deputados federais como falsos “solicitantes”. Do total de R$ 119 milhões mapeados em planilhas atribuídas a Valdemar, pelo menos 21 emendas já foram efetivamente empenhadas ou pagas pelos órgãos competentes.

O ministro Flávio Dino, ao receber a representação da PF, não atendeu a todos os pedidos — como busca e apreensão e suspensão do exercício de cargos públicos —, mas determinou a indisponibilidade de bens até o limite de R$ 119,2 milhões e suspendeu as emendas parlamentares sob suspeita. A decisão judicial ocorre em um contexto de crescente tensão entre o STF e setores políticos, especialmente após operações recentes que miraram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso também levanta questionamentos sobre a transparência no uso de emendas parlamentares, um dos principais mecanismos de negociação política no Congresso Nacional.

Flávio Bolsonaro também criticou a autoridade policial, afirmando que a PF, que “diz não ter efetivo, nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente”. A declaração ecoa discursos de setores da oposição que acusam o governo de instrumentalizar a PF para perseguir adversários políticos. Procurado pela TV Globo, Valdemar Costa Neto negou que tenha feito indicações de emendas e afirmou que, em determinados casos, essa é uma atribuição do líder do partido na Câmara. A defesa do presidente do PL negou que ele tenha praticado qualquer crime e classificou a decisão de Dino como “precipitada”.

O episódio ocorre em meio a uma série de investigações que envolvem o PL e seus principais líderes. Recentemente, o STF bloqueou R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto por suspeita de desvio de emendas, e a PF realizou operações que geraram críticas de senadores sobre seletividade política. Além disso, o partido enfrenta uma crise interna com a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, após racha com Flávio Bolsonaro, expondo fragilidades na extrema direita. Em outro front, um pré-candidato do MDB em Alagoas teve prisão mantida após ligação com o Comando Vermelho, indicando a influência de facções criminosas na política local. O cenário reforça a complexidade do momento político brasileiro, marcado por disputas judiciais, crises partidárias e questionamentos sobre a lisura do sistema eleitoral.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *