Pai e madrasta de menina de 11 anos internada com suspeita de ingestão de soda cáustica têm prisão preventiva decretada por tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos

A Justiça do Acre decretou a prisão preventiva do pai e da madrasta da menina de 11 anos internada após suspeita de ingestão de soda cáustica, em Rio Branco. A decisão atende a pedido do Ministério Público do Acre (MP-AC), que atribui aos suspeitos os crimes de tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos. Ambos não foram localizados e são considerados foragidos. O órgão ressaltou que os crimes foram cometidos por meio cruel e no contexto de violência doméstica e familiar contra a criança, além de maus-tratos majorado pela idade da vítima.

A menina foi internada no dia 3 de julho, após a suspeita de ingerir soda cáustica em uma casa no bairro Apolônio Sales, em Rio Branco. A Polícia Civil investiga a denúncia de que a madrasta teria obrigado a criança a ingerir a substância. Ela segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança. O caso está sob segredo de Justiça.

A Justiça considerou, ao decretar as prisões, a vulnerabilidade da vítima, a necessidade de garantir a instrução criminal e o risco de reiteração das condutas. No caso do pai, a decisão também levou em conta indícios de fuga. Ainda segundo o MP-AC, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foi designado para acompanhar o cumprimento dos mandados de prisão. No caso da prisão preventiva, os suspeitos ficam presos pelo prazo de 90 dias, até que um juiz analise se há elementos para manter ou revogar a medida.

Violência doméstica e histórico de abusos

A mãe da menina afirmou que sofreu violência doméstica durante o relacionamento com o pai da criança e que, por este motivo, foi impedida de conviver com a filha por mais de oito anos. A mulher, que não será identificada na reportagem, contou à Rede Amazônica Acre que teve contato pessoal com a menina somente até os 3 anos de idade. Ela mora na zona rural de Boca do Acre (AM) e chegou à capital na última terça-feira (7) para prestar depoimento e acompanhar a recuperação da filha. Segundo ela, quando chegou ao hospital, a equipe médica confirmou que a menina ingeriu soda cáustica e orientou que evitasse perguntas sobre o caso para não causar sofrimento à criança durante a recuperação.

O caso, que já mobiliza a Polícia Civil, o MP-AC e o Gaeco, expõe um panorama alarmante de violência doméstica e familiar no estado. A situação da menina, internada em estado grave, reacende o debate sobre a proteção de crianças e adolescentes em contextos de abuso e negligência. A Justiça, ao decretar a prisão preventiva, sinaliza a gravidade das acusações e a necessidade de responsabilização dos envolvidos, enquanto a sociedade acompanha com apreensão o desdobramento das investigações.

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