Em uma cúpula realizada em Ancara nesta semana, os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordaram com um amplo pacote de ajuda militar à Ucrânia no valor total de 140 bilhões de euros (cerca de R$ 819,29 bilhões). Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou após reunião com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a intenção de conceder a Kiev uma licença para produzir de forma independente mísseis para o sistema de defesa aérea Patriot, armamento considerado fundamental para a interceptação de ataques balísticos russos.
A decisão ocorre em meio a uma escalada de bombardeios russos. Durante um intenso ataque na última segunda-feira (6), as Forças Aéreas da Ucrânia não conseguiram interceptar nenhum míssil balístico. Segundo informações divulgadas na ocasião, a principal razão foi a escassez de mísseis Patriot, que se tornou um gargalo crítico para a defesa do país. O pacote da Otan, que inclui recursos financeiros e equipamentos, visa suprir essa e outras carências do exército ucraniano.
Produção local de mísseis e mudança de postura dos EUA
De acordo com Donald Trump, Washington pretende compartilhar a tecnologia Patriot e conceder o direito de produzir diretamente em território ucraniano as munições atualmente em falta para a defesa aérea. Os Estados Unidos estariam dispostos a fornecer o apoio necessário para viabilizar essa iniciativa. Caso a Ucrânia receba autorização para produzir mísseis Patriot sob licença, se tornará apenas o terceiro país do mundo, depois do Japão e da Alemanha, a receber esse direito.
Durante a coletiva de imprensa, Trump também declarou que pretende comprar drones ucranianos, uma medida que representa uma mudança de postura em relação à sua visão anteriormente mais crítica sobre a indústria de defesa da Ucrânia. O presidente americano elogiou a ampla capacidade dos ucranianos para fabricar drones. “É impressionante que eles consigam produzir isso em condições de guerra”, destacou. A experiência ucraniana em drones também está sendo fortemente demandada em toda a Europa. Em Ancara, diversos países assinaram um acordo sobre drones com Kiev.
Desafios técnicos e prazos para a produção
No entanto, o especialista militar Oleh Katkow, editor-chefe da revista da empresa ucraniana de mídia e consultoria Defense Express, avalia que o caminho entre a decisão política e o início efetivo da produção levará anos. “Isso é realmente fantástico, um momento histórico. Mas é preciso entender que um processo assim não leva apenas alguns dias ou semanas. O Japão, apesar de toda sua capacidade industrial e tecnológica, precisou de dois anos entre o acordo e o início da produção. Muito provavelmente estamos apenas na fase de um entendimento político de princípio entre os governos da Ucrânia e dos Estados Unidos”, afirmou Katkow. Segundo ele, antes que uma cooperação entre empresas do setor de defesa possa ser concretizada, ainda há entraves técnicos e burocráticos a serem superados.
Fonte: ver noticia original


[…] isso, a Otan aprovou um pacote bilionário de ajuda à Ucrânia e os EUA sinalizam produção local de mísseis Patriot, numa tentativa de reduzir a dependência […]