Ataque a tiros e incêndio em São João Batista: grávida e filho de 4 anos são carbonizados; investigação aponta disputa entre facções

Uma força-tarefa da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) investiga o ataque que resultou na morte de Samira Costa Correia, grávida de três meses, e de seu filho Yan Kaleb Costa Santos, de 4 anos, na zona rural de São João Batista, no Maranhão. O crime ocorreu na sexta-feira (10), quando cerca de 15 homens armados invadiram uma residência, efetuaram disparos e atearam fogo no imóvel, carbonizando as vítimas. Segundo a SSP-MA, o principal alvo do ataque seria Josef Abreu Santos, companheiro de Samira e pai de Yan, que foi ouvido pela autoridade policial. O caso é tratado como duplo homicídio e está relacionado a uma disputa entre facções criminosas, conforme os elementos já reunidos pela investigação.

A SSP-MA não informou em que condição Josef prestou depoimento nem divulgou outros detalhes para não comprometer o andamento das investigações. Familiares afirmaram que ele havia sido visto na casa pouco antes do ataque. O crime expõe a escalada da violência no interior do estado, onde conflitos entre grupos criminosos têm se intensificado, atingindo diretamente civis e crianças. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Maranhão registrou aumento de 12% nos homicídios dolosos em 2025, com destaque para áreas rurais como São João Batista.

Suspeito morto e outro preso em operação policial

Durante as buscas, um dos suspeitos de participação no ataque, identificado como Joelson Braga Araújo, morreu após um confronto com equipes policiais no povoado Arrebenta, também na zona rural de São João Batista. Segundo a SSP-MA, Joelson usava tornozeleira eletrônica por determinação judicial, mas a secretaria não informou por qual motivo ele era monitorado nem detalhou as circunstâncias do confronto. Outro suspeito de envolvimento no ataque foi preso na tarde deste domingo (12), conforme a SSP-MA. A identidade dele e os detalhes sobre a possível participação no crime não foram divulgados. Outros envolvidos já foram identificados e continuam sendo procurados pelas forças de segurança, que contam com equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Perícia Oficial, Centro Tático Aéreo (CTA), Canil e setores de inteligência.

O ataque, que teria envolvido cerca de 15 homens, também incluiu o arrombamento de três imóveis pertencentes à família, mas apenas a casa onde estavam Samira e Yan foi incendiada. A violência contra mulheres e crianças no contexto de disputas entre facções é uma preocupação crescente no Brasil. Casos como o feminicídio em Capoeiras e o assassinato de uma cabo da PM em Salvador mostram como a proteção a mulheres ainda é frágil. Em Arapiraca, um suspeito tentou suicídio após matar a ex-companheira, e em São Paulo, a investigação revelou tentativa de obstrução em caso de feminicídio de uma policial militar.

A SSP-MA informou que as diligências continuam para localizar os demais envolvidos. O caso reforça a necessidade de políticas públicas integradas de segurança e combate às facções criminosas, que têm transformado comunidades rurais em palco de execuções sumárias. A população de São João Batista, cidade de cerca de 20 mil habitantes, vive sob tensão, e organizações de direitos humanos cobram ações efetivas do Estado para proteger civis, especialmente mulheres e crianças, alvos frequentes em conflitos armados.

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