O contrabando de canetas para emagrecer disparou na fronteira entre Brasil e Paraguai e já supera os cigarros entre os itens mais apreendidos pela Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR), ficando atrás apenas dos smartphones. Até dois anos atrás, os medicamentos sequer apareciam entre os dez produtos mais apreendidos na alfândega da cidade, mas hoje o cenário mudou completamente, revelando um mercado clandestino que movimenta bilhões de reais e desafia a fiscalização. As apreensões mostram que os criminosos utilizam diferentes estratégias para transportar os produtos até o Brasil, incluindo fundos falsos de veículos, motores, escapamentos, caminhões, cargas de alimentos e até presas ao corpo de passageiros que cruzam a fronteira, conforme flagrantes exibidos pelo Fantástico.
O avanço do contrabando ficou evidente em uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que resultou na maior apreensão de canetas para emagrecer já registrada no país. Mais de 30 mil unidades foram encontradas escondidas em um caminhão que havia saído de Foz do Iguaçu com destino ao estado de São Paulo. O volume superou em cinco vezes o recorde anterior, de cerca de 6 mil unidades apreendidas em um único veículo. Segundo as autoridades, a carga era composta por diferentes medicamentos usados para emagrecimento, incluindo substâncias sem registro no Brasil e versões comercializadas ilegalmente como alternativas às canetas mais conhecidas.
Mercado bilionário impulsiona o crime
O crescimento das apreensões acompanha a explosão da demanda por medicamentos para emagrecer, impulsionada principalmente pelas redes sociais e pela busca por resultados rápidos na perda de peso. Autoridades estimam que esse mercado clandestino tenha movimentado cerca de R$ 10 bilhões em apenas seis meses. Grande parte dos produtos vendidos ilegalmente entra no Brasil a partir do Paraguai. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nenhuma caneta emagrecedora fabricada no país vizinho possui registro para comercialização em território brasileiro. Isso significa que esses medicamentos não passaram pela avaliação da agência sobre qualidade, segurança e eficácia, configurando crime a venda, divulgação e importação desses produtos sem registro.
A investigação mostra que muitas das substâncias chegam ao Paraguai vindas da China e da Índia. Em alguns casos, os produtos já são comercializados ilegalmente como alternativas às canetas mais conhecidas, com substâncias ainda em fase de testes. O cenário expõe um desafio crescente para as autoridades de fronteira, que agora precisam lidar com um mercado clandestino bilionário que se aproveita da alta demanda por emagrecimento rápido e da falta de fiscalização em rotas internacionais.
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