Ex-presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, anuncia pré-candidatura a deputado federal por São Paulo e critica desmonte ambiental no Congresso

O ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ex-prefeito de Bauru (SP), Rodrigo Agostinho (PSB), confirmou nesta terça-feira (14), em entrevista ao g1, a pré-candidatura a deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026. A possibilidade de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados já havia ganhado força em abril deste ano, quando Agostinho deixou a presidência do órgão dentro do prazo de desincompatibilização exigido pela Justiça Eleitoral para candidatos que ocupam cargos públicos. O anúncio foi feito na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Refeições Coletivas (Sinterc), em Bauru, durante evento com a ministra do Meio Ambiente e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede).

Biólogo e advogado, Rodrigo Agostinho foi prefeito de Bauru por dois mandatos, entre 2009 e 2016. Depois, exerceu mandato como deputado federal entre 2019 e 2022, período em que presidiu a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara e coordenou a Frente Parlamentar Ambientalista. Em janeiro de 2023, foi escolhido pela ministra Marina Silva para comandar o Ibama, cargo que ocupou até abril deste ano. Ao g1, Agostinho afirmou que pretende concentrar a campanha na representação do interior paulista e na pauta ambiental. “Estou trabalhando na construção dessa pré-candidatura a deputado federal dentro dessa questão territorial daqui da nossa região e do tema da sustentabilidade”, afirmou.

O ex-presidente do Ibama também criticou o que chamou de “desmonte” da legislação ambiental promovido pelo Congresso Nacional e defendeu a eleição de parlamentares comprometidos com a pauta ambiental. “Recentemente, o Congresso aprovou uma série de projetos de lei desmontando a legislação ambiental brasileira, como é o caso do licenciamento ambiental. Então é muito importante que a gente tenha deputados e senadores no Brasil comprometidos com esse tema”, disse. A declaração reflete um cenário político nacional em que a agenda ambiental enfrenta forte oposição no Legislativo, com propostas que flexibilizam regras de proteção, gerando debates acalorados entre setores produtivos e ambientalistas.

Durante o evento, Marina Silva criticou medidas adotadas pelos Estados Unidos, como a taxação de produtos brasileiros e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. Segundo a ex-ministra, o crime organizado deve ser combatido pelas instituições brasileiras e o combate ao terrorismo não pode servir de “pretexto” para ameaçar a soberania nacional. A fala ocorre em um contexto de tensão nas relações bilaterais, com impactos diretos na política externa e na segurança pública do Brasil. A pré-candidatura de Rodrigo Agostinho se insere em um movimento mais amplo de figuras ligadas ao ambientalismo que buscam ampliar sua representação no Congresso, em meio a disputas acirradas por vagas na Câmara dos Deputados por São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

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