Quando esteve preso, alvo da Operação Lava Jato, o presidente Lula (PT) recebeu Fernando Haddad (PT) semanalmente até o início da campanha de segundo turno de 2018 e orientou a estratégia eleitoral por meio de cartas e recados políticos transmitidos via aliados, conforme revelou a Folha de S.Paulo nesta terça-feira (14 de julho de 2026).
A relação direta entre o ex-presidente e o então candidato petista evidencia o papel central de Lula na condução da corrida presidencial, mesmo estando detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. As visitas semanais de Haddad, que ocorreram até o início do segundo turno, foram acompanhadas de um fluxo constante de orientações escritas e verbais, que moldaram a comunicação e as propostas do partido naquele pleito.
As cartas, muitas vezes manuscritas, abordavam desde a necessidade de ampliar o diálogo com setores do centro político até a defesa intransigente das políticas sociais implementadas nos governos petistas. Os recados, por sua vez, eram levados por intermediários de confiança, como ex-ministros e dirigentes partidários, que visitavam Lula na prisão e repassavam as diretrizes para a equipe de campanha.
O panorama político de 2018 foi marcado por uma polarização intensa, com a ascensão de Jair Bolsonaro (então no PSL) e a crise de representação após o impeachment de Dilma Rousseff. A prisão de Lula, ocorrida em abril daquele ano, gerou comoção entre seus apoiadores e levou o PT a lançar Haddad como substituto, após o ex-presidente ter sua candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa. Apesar da rejeição inicial, Haddad conseguiu levar a disputa ao segundo turno, onde foi derrotado por Bolsonaro.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a coordenação de Lula, mesmo encarcerado, foi um fator crucial para a coesão do discurso petista e para a mobilização de sua base eleitoral. A estratégia incluía a defesa da memória dos governos Lula e Dilma, a crítica à Operação Lava Jato e a promessa de retomada de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família.
O conteúdo das cartas e recados, segundo fontes próximas ao ex-presidente, também tratava de alianças regionais e da necessidade de evitar erros de comunicação que pudessem ser explorados pela oposição. A orientação constante de Lula, mesmo à distância, reforça a tese de que o PT manteve uma estrutura de comando centralizada, com o ex-presidente como principal articulador político, mesmo sob restrição de liberdade.
A revelação ocorre em um momento em que o país se prepara para as eleições de 2026, com Lula novamente elegível e cotado como candidato à reeleição. O episódio de 2018 ressurge como um precedente histórico sobre a capacidade de liderança do petista em situações adversas, ao mesmo tempo em que reacende debates sobre os limites do poder de influência de um preso político sobre o processo eleitoral.
Fonte: ver noticia original

