Técnico de vôlei exigia repasse de bolsa-auxílio como condição para atletas participarem de projeto, aponta MP

O técnico de vôlei Fábio Eduardo Cassiano, investigado por suspeita de desvio e apropriação de verba pública em Limeira (SP), exigia que atletas repassassem a ele parte da ajuda de custo que recebiam da prefeitura como condição para aceitá-los em um projeto esportivo. A prática foi constatada pelo Ministério Público (MP), que abriu um inquérito civil para apurar o esquema. As denúncias apontam que Cassiano exigia até R$ 350 dos R$ 500 que os atletas recebiam mensalmente como bolsa-auxílio, com depósitos feitos via Pix na conta pessoal do técnico.

Segundo a promotora de Justiça Débora Simonetti, Cassiano alegava que o dinheiro serviria para auxiliar o projeto, mas, na verdade, ele usava os pagamentos até mesmo como requisito para participação dos atletas. “Apesar dessa justificativa, ele usava, além disso, também a questão se a pessoa ia jogar ou não ia jogar no time, se o atleta podia ser um capitão ou não, se ia ficar no banco ou jogar como titular. Até isso foi passado para o Ministério Público. Ao que parece, quem não pagava, nem entrava na questão do projeto. Isso ficou bem claro nas nossas oitivas”, afirmou Simonetti.

Diante das suspeitas, o MP recomendou ao município de Limeira a suspensão do contrato com o Instituto Crescer Juntos, do qual o técnico faz parte, e dos repasses financeiros à entidade. A recomendação foi acatada pela prefeitura. Ainda segundo a investigação, a presidente do instituto, Fúlvia Lúcia Margotti, tinha conhecimento da conduta praticada pelo professor e, por isso, também é investigada. A presidente negou os desvios e citou que possui todas as notas fiscais e comprovantes destinados à realização do projeto.

O técnico foi afastado, de forma cautelar e preventiva, das atividades de coordenação e treinamento, assim que a denúncia chegou ao Ministério Público, no dia 17 de junho de 2026. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Cassiano afirmou que pais de parte dos alunos aceitaram ajudar o projeto com valores para despesas não contempladas inicialmente e negou que os repasses estivessem vinculados à participação dos alunos. Ele citou que alguns pais manifestaram interesse em fazer doações ao projeto e sugeriu o repasse de parte da ajuda de custo dos atletas para pagar despesas não previstas. De acordo com o técnico, os valores totais não passam de R$ 1,8 mil.

O caso levanta questões sobre a fiscalização de projetos sociais que utilizam recursos públicos e o controle sobre entidades do terceiro setor. A situação em Limeira reflete um problema mais amplo no país, onde a falta de transparência e de mecanismos de auditoria pode facilitar desvios em iniciativas voltadas ao esporte e à juventude. A investigação do MP segue em andamento, e novas oitivas devem ser realizadas para esclarecer o esquema e responsabilizar os envolvidos.

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