Uma jovem de 29 anos, Stephanye Thauany Souza da Silva, morreu após complicações decorrentes de um ataque a faca atribuído ao ex-companheiro, em Maceió, e foi sepultada na última semana. O suspeito está preso preventivamente, enquanto o caso expõe mais uma vez as fragilidades do sistema de proteção às mulheres no estado de Alagoas, que registra uma das maiores taxas de feminicídio do país.
Stephanye foi atacada em via pública, no bairro do Jacintinho, no dia 18 de julho. Ela chegou a ser socorrida e internada em estado grave, mas não resistiu às lesões e faleceu no Hospital Geral do Estado (HGE) no dia 25 de julho. O corpo foi velado e sepultado no cemitério do bairro do Benedito Bentes, sob comoção de familiares e amigos.
O crime e a prisão do suspeito
De acordo com a Polícia Civil de Alagoas, o ex-companheiro de Stephanye, que não teve o nome divulgado, foi preso em flagrante no dia do ataque e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça. A motivação do crime, segundo testemunhas, teria sido o fim do relacionamento. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) da Capital investiga o caso como feminicídio.
O crime ocorre em meio a um cenário alarmante: Alagoas lidera o ranking nacional de feminicídios proporcionais, com uma taxa de 2,4 mortes para cada 100 mil mulheres, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Apenas em 2025, o estado já registrou mais de 20 casos, a maioria cometidos por parceiros ou ex-parceiros.
Panorama da violência de gênero em Alagoas
O caso de Stephanye Thauany Souza da Silva se soma a uma série de episódios recentes que evidenciam a escalada da violência doméstica no estado. Em Girau do Ponciano, um jovem de 21 anos foi preso horas após cometer feminicídio e tentativa de homicídio contra a ex-companheira e a mãe dela. Em Estrela de Alagoas, outro jovem atacou a própria sogra a facadas, configurando tentativa de feminicídio. Já no Recife, um ex-companheiro rompeu a tornozeleira eletrônica e matou a mulher a facadas no bairro do Sítio dos Pintos.
Especialistas apontam que a falta de cumprimento de medidas protetivas, a subnotificação de casos e a demora no atendimento judicial contribuem para o agravamento da crise. A Defensoria Pública de Alagoas e o Ministério Público Estadual têm cobrado mais agilidade na concessão de medidas protetivas e na fiscalização de agressores.
O impacto social e as respostas institucionais
A morte de Stephanye reacende o debate sobre a eficácia das políticas de enfrentamento ao feminicídio. Em Maceió, a Prefeitura mantém a Casa da Mulher Alagoana, que oferece acolhimento e orientação jurídica, mas a demanda supera a capacidade de atendimento. Organizações de direitos humanos, como o Instituto Maria da Penha, denunciam que a rede de proteção ainda é insuficiente para prevenir tragédias como essa.
O governo estadual, por meio da Secretaria de Estado da Segurança Pública, anunciou a ampliação do programa Patrulha Maria da Penha, que monitora agressores com tornozeleiras eletrônicas. No entanto, críticos apontam que o programa cobre menos de 30% das medidas protetivas expedidas pela Justiça. O caso de Stephanye, que não tinha medida protetiva registrada, ilustra a necessidade de ações preventivas mais amplas.
O enterro de Stephanye Thauany Souza da Silva, no dia 26 de julho, foi marcado por protestos silenciosos de ativistas que pediam justiça e o fim da impunidade. A Polícia Civil informou que o inquérito deve ser concluído nos próximos dias, e o suspeito permanece à disposição da Justiça.
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