EUA impõem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após investigação comercial

O governo dos Estados Unidos confirmou na noite desta quarta-feira (15) a implementação de tarifas de 25% contra produtos do Brasil, conforme anunciado pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA). A medida, que encerra uma investigação comercial iniciada em julho do ano passado, foi proposta pelo órgão e representa um novo capítulo nas tensões comerciais bilaterais.

As tarifas, que entram em vigor em 30 dias, abrangem uma ampla gama de produtos brasileiros, incluindo etanol, aço, alumínio e carne bovina. A investigação, que durou cerca de um ano, apontou supostas práticas comerciais desleais do Brasil, como subsídios ao setor de etanol e ao sistema de pagamentos instantâneos PIX. O USTR alegou que tais medidas prejudicam a competitividade de empresas americanas.

Impacto econômico e setores afetados

De acordo com a SP Negócios, agência de promoção de investimentos do estado de São Paulo, as tarifas podem atingir até 93% da pauta exportadora paulista. O estado é o maior exportador do Brasil para os EUA, com destaque para produtos como aeronaves, máquinas e equipamentos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as exportações brasileiras para os EUA, que somaram US$ 35 bilhões em 2025, podem cair até 15% no curto prazo.

O setor sucroenergético é um dos mais afetados, já que o etanol brasileiro responde por cerca de 20% do mercado americano. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) criticou a decisão, classificando-a como “protecionista e injustificada”. Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) alertou para possíveis retaliações do Brasil, que podem incluir tarifas sobre produtos americanos como trigo, milho e automóveis.

Panorama político e reações

A decisão dos EUA ocorre em meio a um cenário de tensões comerciais globais, com o governo americano adotando uma postura mais agressiva em relação a parceiros comerciais como China e União Europeia. O Brasil, por sua vez, busca diversificar suas parcerias, com acordos recentes com a Argentina e a Índia. A medida também coincide com a proximidade das eleições presidenciais americanas, o que pode influenciar a retórica protecionista.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em nota, afirmou que “lamenta profundamente a decisão unilateral dos EUA” e que “avaliará todas as medidas cabíveis, incluindo a abertura de painéis na Organização Mundial do Comércio (OMC)”. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Congresso Nacional também se manifestou, defendendo uma resposta “firme e coordenada” do governo brasileiro.

Especialistas apontam que a medida pode ter efeitos de longo prazo nas relações comerciais entre os dois países, que são os maiores parceiros comerciais das Américas. O Brasil é o terceiro maior fornecedor de produtos para os EUA, atrás apenas de Canadá e México. A decisão do USTR, que exigiu aprovação do Congresso americano, foi aprovada por maioria simples, com 51 votos a favor e 49 contra no Senado.

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