Pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro a Michelle é visto como arranjo político e pode impactar eleitorado

O vídeo em que Flávio Bolsonaro (PL) pede desculpas a Michelle Bolsonaro por “momentos de desconforto” — e não pelas humilhações citadas pela ex-primeira-dama — pode ser visto pelo eleitor como um arranjo político, segundo análise publicada pelo blog do Octavio Guedes, no g1. O gesto, ocorrido quase um mês após o desabafo de Michelle, levanta dúvidas sobre a sinceridade do arrependimento e o timing da ação, que coincide com a divulgação de pesquisa eleitoral que aponta impacto negativo da crise familiar na campanha.

A análise destaca que, em política, voltar atrás é comum e até visto como qualidade quando há autocrítica genuína. No entanto, quando o pedido de desculpas chega tardiamente, o eleitor naturalmente questiona: “Por que Flávio não fez esse vídeo no primeiro momento? Não se arrependeu de início?”. A demora, segundo o texto, passa a impressão de que houve um arranjo político após a crise familiar se tornar pública.

A briga entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro envolvia poder dentro do PL: ela queria que suas candidaturas tivessem apoio e dinheiro do partido — o que não aconteceu, pelo menos no Ceará, epicentro do embate citado pela ex-primeira-dama em seu vídeo. O gesto de Flávio, portanto, soa mais como um pedido de cessar-fogo (“Olha, vamos recolher as armas”) do que um arrependimento sincero.

Esse cenário é reforçado pela reação imediata à publicação de Michelle, com ataques a ela, em que inclusive negaram o uso do sobrenome nas críticas e a chamavam pelo nome de solteira, apenas “Michelle”. A pesquisa Quaest, recentemente divulgada, mostrou que o embate entre os dois nas redes sociais impacta negativamente a campanha. O vídeo com o pedido de desculpas aparece justamente após a divulgação desses dados.

Aos olhos do eleitor, o movimento pode ser encarado mais como um arranjo familiar e político em prol de Flávio Bolsonaro em sua disputa eleitoral do que um arrependimento genuíno. Resta saber como o vídeo será encarado pelo eleitor nas próximas pesquisas.

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