O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal investigue o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no inquérito que apura suspeitas de venda de sentenças. A decisão foi revelada nesta quinta-feira (24) e amplia o escopo das apurações contra o magistrado, que já está afastado da Corte desde fevereiro deste ano, após acusações de importunação e assédio sexual apresentadas por duas mulheres.
Em nota à TV Globo, a defesa de Marco Buzzi negou qualquer irregularidade. “O ministro Buzzi não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares, ao contrário, é impedido de exercer função de juiz em casos que familiares atuem. Não tem conhecimento de andamentos do caso em tela, tampouco figura como investigado”, afirmaram os advogados.
Julgamento por crimes sexuais
O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, agendou para o dia 6 de agosto, a partir das 9h, o julgamento do ministro afastado Marco Buzzi, acusado de crimes sexuais. Buzzi é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura acusações de importunação e assédio sexual apresentadas por duas mulheres: uma jovem de 18 anos, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante férias com a família na casa do ministro em Balneário Camboriú (SC); e uma ex-funcionária de gabinete que denunciou episódios reiterados de assédio sexual e importunação cometidos enquanto trabalhava na equipe do magistrado no STJ.
Desde o início das apurações, a defesa do ministro Marco Buzzi nega veementemente que o magistrado tenha cometido qualquer ato ilícito. Em notas enviadas à imprensa, seus advogados afirmam que as alegações “carecem de provas concretas” e não refletem a conduta do magistrado. Também afirmam que Buzzi possui mais de quatro décadas de trajetória pública e judicial “sem qualquer mácula prévia”. O julgamento ocorrerá sob sigilo para preservar a intimidade das partes e resguardar os elementos de prova reunidos ao longo do processo disciplinar.
O ministro Marco Buzzi foi afastado cautelarmente do cargo e das dependências do STJ em fevereiro de 2026, logo após as denúncias virem à tona. Na fase final do PAD, os ministros da Corte Especial do STJ decidirão se aplicam sanção disciplinar ao magistrado. Entre as penalidades administrativas cabíveis no âmbito do tribunal estão a aposentadoria compulsória e a perda do cargo. A Procuradoria-Geral da República defendeu a aplicação da aposentadoria compulsória.
Paralelamente à apuração no STJ, o caso também é investigado na esfera criminal em inquérito que tramita no STF, sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, devido ao foro por prerrogativa de função.
Panorama político e judicial
A autorização de Cristiano Zanin para investigar Marco Buzzi no caso de venda de sentenças ocorre em meio a um contexto de crescente atuação do STF em investigações de alto escalão. Recentemente, o STF autorizou a Polícia Federal a investigar repasses milionários de Daniel Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, além de ter permitido a investigação contra um ministro do STJ por suspeitas de venda de sentenças ao agronegócio. Essas decisões reforçam o papel do tribunal como instância máxima em casos que envolvem autoridades com foro privilegiado, gerando debates sobre os limites da atuação judicial e a independência dos Poderes.
Fonte: ver noticia original

