O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha. A investigação, solicitada pela Polícia Federal, apura a atuação de um grupo de pessoas que teria mantido supostos negócios ilícitos em áreas do governo federal. A decisão amplia o cerco judicial contra o filho do presidente, que já figura como alvo de outras duas investigações em tramitação no STF.
O novo inquérito é o terceiro pedido da PF envolvendo Lulinha em menos de uma semana. No dia 30 de julho, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de uma investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde. Segundo a PF, o filho do presidente teria atuado em favor de interesses ligados ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
No dia seguinte, André Mendonça autorizou um segundo inquérito para apurar se Lulinha favoreceu empresários interessados em fechar negócios com a Dataprev e outros órgãos do governo federal. Nesse caso, a PF investiga suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações surgiram a partir de elementos colhidos na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. A PF afirma que os novos inquéritos não tratam diretamente das fraudes nos benefícios, mas de eventuais atuações de Lulinha em favor de empresários e lobistas junto a áreas do governo federal.
Panorama político e jurídico
O avanço das investigações ocorre em um momento de intensa movimentação no cenário político nacional, com a proximidade das eleições de 2026. A abertura de múltiplos inquéritos contra uma figura ligada ao presidente da República gera repercussão nos bastidores do poder, especialmente em um contexto de disputa acirrada pela sucessão presidencial. Enquanto isso, outras operações da Polícia Federal têm ganhado destaque, como a que investiga o uso de emendas parlamentares em um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com contrato de R$ 157 milhões com a prefeitura de São Paulo, e a operação que mira o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL) por desvio de emendas. Em Maceió, a Operação Sunshine 2 prendeu duas mulheres por desvio de R$ 600 mil de uma ONG que recebia recursos públicos. Esses casos reforçam um cenário de maior ativismo judicial e policial em torno de suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos e seus familiares.
O terceiro inquérito autorizado por Flávio Dino amplia o leque de apurações contra Lulinha, que agora responde a três frentes de investigação no STF. A decisão do ministro, somada às autorizações anteriores de André Mendonça, indica uma postura firme da Corte em relação a casos que envolvem o entorno do Palácio do Planalto. A Polícia Federal, por sua vez, segue coletando provas e ouvindo testemunhas para esclarecer a extensão das supostas irregularidades.
Até o momento, não há manifestação pública de Lulinha ou de seus advogados sobre o novo inquérito. A reportagem do g1 segue em atualização e novas informações podem surgir ao longo do dia.
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