A Polícia apreendeu, na tarde desta sexta-feira (14), em Fortaleza, um carro suspeito de ter sido utilizado no assassinato do soldado Raphael Sampaio da Silva, morto a tiros e carbonizado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. O veículo foi localizado próximo à Avenida Washington Soares, no bairro Messejana, e pode ser uma nova pista para esclarecer as circunstâncias do crime, ocorrido na última terça-feira (11).
A apreensão ocorre em meio à prisão da policial militar Júlia Natália Girão Gomes e do marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, ambos suspeitos de envolvimento no homicídio. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) confirmou que o automóvel foi periciado no local e recolhido, com equipes da Polícia Militar, da Perícia Forense e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) atuando na ocorrência.
Investigação em andamento
A polícia não esclareceu quem seria o proprietário do veículo nem em que circunstância ele teria sido usado no crime. A morte de Raphael é investigada pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP/DHPP), que busca entender a dinâmica do assassinato. A apreensão do carro pode fornecer novas evidências, como impressões digitais, vestígios de sangue ou outros materiais que ajudem a reconstituir o trajeto dos suspeitos.
O caso ganhou contornos complexos porque Júlia Natália, inicialmente tratada como vítima, passou a ser investigada como suspeita. Ela era colega de equipe de Raphael e atuava no mesmo batalhão militar. Horas antes do homicídio, os dois trabalharam juntos. Segundo o depoimento dela, após o expediente, que terminou às 2h da madrugada de terça-feira, ela pediu carona a Raphael. No trajeto, os dois teriam sido abordados por criminosos, que mataram o soldado e a teriam arrancado do carro pelos cabelos, amarrando-a e colocando-a no porta-malas de outro veículo.
No entanto, a versão de Júlia apresentou inconsistências: ela não soube detalhar o local exato da abordagem nem descrever os supostos criminosos. Ao ser encontrada em Aquiraz, com as mãos amarradas, aparentava estar abalada e perguntava constantemente sobre o estado de Raphael, conforme termo de depoimento do responsável pela investigação. A polícia passou a desconfiar da história e aprofundou as apurações, que revelaram possíveis motivações pessoais.
Panorama do caso
Investigações preliminares indicam que Júlia Natália mantinha um caso extraconjugal com Raphael, conforme declarações de familiares da vítima. A tia do soldado afirmou que o relacionamento era conhecido e que “não justifica a morte”. Além disso, a PM é investigada por vender contas falsas em aplicativos de transporte, o que pode indicar envolvimento em atividades ilícitas paralelas. O marido dela, Antoneudo, também foi preso, mas a polícia não detalhou o papel dele no crime.
O caso repercutiu na região, que já enfrenta desafios de segurança pública. A morte de um policial militar sempre gera comoção e cobranças por respostas rápidas. A apreensão do veículo é mais um passo na tentativa de esclarecer os fatos e levar os responsáveis à Justiça. A SSPDS reforçou que as investigações seguem em sigilo para não comprometer as diligências.
Enquanto isso, a população de Itaitinga e da Grande Fortaleza acompanha com apreensão o desenrolar do caso, que envolve não apenas um homicídio, mas também a possível participação de uma agente de segurança pública. A polícia trabalha para determinar se houve premeditação, participação de terceiros e qual foi exatamente o papel de cada um dos envolvidos.
O veículo apreendido passará por perícia detalhada, e os resultados podem ser cruciais para a elucidação do crime. A Justiça deve decidir nos próximos dias sobre a manutenção das prisões de Júlia e Antoneudo, enquanto a DHASP/DHPP continua coletando provas e ouvindo testemunhas.
Fonte: ver noticia original

