PF encontra mensagem que liga ex-chefe de gabinete de Lula a minuta de contrato de canabidiol para o Ministério da Saúde

A Polícia Federal (PF) localizou uma mensagem de WhatsApp que mostra que o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana, o Marcola, recebeu uma minuta de um contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O documento foi enviado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente Lula, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que tentava fechar o contrato com a pasta, mas o negócio nunca foi fechado. A informação foi inicialmente publicada pelo jornal O Globo.

No início do mês, foi revelado que a empresária repassou dinheiro a Marcola. Em nota, Marcola disse que a transferência foi de R$ 249 mil e foi fruto de um empréstimo pessoal já quitado. A PF identificou a operação ao analisar dados do celular de Roberta, que está sob investigação no âmbito da Operação Sem Desconto. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu a minuta do contrato.

Investigações em curso

A PF investiga o filho do presidente Lula pelos crimes de tráfico de influência e corrupção em três inquéritos diferentes. Uma das linhas de investigação apura se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde. O “Careca do INSS” é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões.

Tentativa frustrada de negócio

O g1 noticiou em janeiro que mensagens trocadas entre o “Careca do INSS” e seus funcionários na empresa World Cannabis indicam que ele tentou vender produtos de canabidiol para o Ministério da Saúde entre o final de 2024 e o início de 2025. Em 13 de dezembro de 2024, os funcionários do Careca compartilharam em um grupo de WhatsApp um arquivo de texto com a minuta de um Termo de Referência (TR) que previa a compra de 1,2 milhão de frascos de canabidiol pelo Ministério da Saúde. Não há informação da PF de que esse documento seja o mesmo que Marcola recebeu. Um ex-funcionário do “Careca do INSS” afirma que se trata do mesmo documento.

O documento dizia que a compra dos medicamentos deveria ser por “dispensa de licitação” e direcionava o negócio para quatro empresas — a World Cannabis, pertencente ao Careca, e mais três supostas parceiras. O arquivo não trazia valores. No mercado, o preço de cada frasco de canabidiol, nas concentrações previstas, varia de R$ 400 a R$ 900, o que poderia resultar em um negócio de mais de R$ 500 milhões. O TR é um tipo de documento que deve ser elaborado e publicado pelo ministério.

Em meio a esse cenário, novas revelações sobre Lulinha e Marcola irritam o Planalto. Segundo o blog de Valdo Cruz, o PT planeja contra-ataque usando o caso Vorcaro e Flávio Bolsonaro para desviar o foco das investigações.

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