Após revelação do g1, candidato com mandado de prisão renuncia e outros três quitam dívidas de pensão

Uma reportagem exclusiva do g1 revelou que nove candidatos às eleições de 2026 possuem mandados de prisão em aberto por dívida de pensão alimentícia. Após a publicação, um deles renunciou à candidatura, três afirmaram ter quitado os débitos, a assessoria de um candidato apontou erro processual e um partido informou que outro está regularizando os valores pendentes. A dívida de pensão não gera inelegibilidade nem retira o candidato da disputa, mas ele pode ser preso se encontrado, o que limita a participação presencial na campanha.

O caso mais emblemático é o de Bruno Souto Martins, que havia registrado candidatura a segundo suplente de senador pela Unidade Popular (UP) na Paraíba. O mandado consultado pelo g1 indicava dívida de R$ 48.198,17 e previa prisão por 90 dias, em regime fechado e em local separado de presos definitivos. Após a publicação, a UP informou que Bruno apresentou formalmente sua renúncia e que o partido concordou com a decisão. A legenda afirmou que adotaria as medidas necessárias junto à Justiça Eleitoral. Segundo a UP, Bruno relatou que há um processo em andamento para revisar os valores destinados a filhos maiores de idade, com audiência marcada para 3 de setembro, e que realiza tratativas para regularizar a situação. Ele também afirmou, por meio da UP, que “não consta decisão definitiva relativa ao mandado, que não foi encaminhado para cumprimento e é passível de revisão” na audiência. No entanto, o documento consultado pelo g1 na manhã desta quinta-feira (20) aparecia no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) como pendente de cumprimento.

Outros candidatos e partidos se manifestam

Entre os demais citados, Carlos Alexandre Ferreira Silva (Solidariedade), Elivaldo Saldanha Brasil (Republicanos) e Cleuber Gomes Ferreira (Republicanos) disseram que os pagamentos das dívidas já haviam sido feitos. A assessoria de João Reginaldo de Alencar Filho (Novo) classificou o caso como um “erro processual”. Já o partido Novo informou que Vitor Hugo Pinheiro Bicca, filiado à legenda, relatou dificuldades financeiras e está regularizando os valores pendentes.

Panorama jurídico e político

As declarações de pagamento não retiram automaticamente uma ordem do BNMP. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cabe ao tribunal responsável atualizar o sistema quando um mandado é cumprido, suspenso, revogado, cancelado ou corrigido. Especialistas apontam que a situação expõe uma lacuna no sistema eleitoral, que permite a candidatura de pessoas com pendências judiciais, mas que pode comprometer a lisura do processo se a prisão ocorrer durante o período de campanha. O caso também reacende o debate sobre a necessidade de maior rigor na análise de registros de candidatura, especialmente em um cenário político já marcado por denúncias de irregularidades, como o levantamento que apontou nove candidatos com mandados de prisão em aberto, incluindo casos de foragidos e patrimônios declarados zerados.

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