Plano de governo de Luciana Amorim (UP) propõe reestatização, salário mínimo estadual e desmilitarização em Goiás

O plano de governo de Luciana Amorim, candidata do Unidade Popular (UP) ao governo de Goiás, foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e propõe uma ampla reestruturação do papel do Estado na economia e nas políticas públicas. O documento de 25 páginas, construído com movimentos sociais, prioriza trabalhadores, população de baixa renda, mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, e traz medidas como reestatização de empresas, salário mínimo estadual e desmilitarização das forças policiais e dos colégios estaduais.

A candidata, que disputou o cargo de vice-governadora em 2022, justifica as diretrizes a partir de um diagnóstico socioeconômico do estado e da atuação de entidades populares. O partido tem Caymmi Henrique como candidato a vice-governador na chapa.

Economia e infraestrutura

O programa defende maior presença pública na economia, com a reestatização da Celg (companhia energética estadual) e dos transportes, além do cancelamento dos processos de privatização da Saneago, empresa de saneamento básico. A proposta inclui também frentes emergenciais de trabalho vinculadas a obras de saneamento, postos de saúde e moradias populares.

Emprego e renda

Uma das medidas mais ousadas é a criação de um salário mínimo estadual com valor equivalente ao dobro do piso nacional. O plano também prevê auxílio emergencial contínuo para pessoas desempregadas, como forma de garantir renda mínima à população vulnerável.

Educação e segurança

Na área educacional, o documento propõe a ampliação da escola em tempo integral, novos concursos públicos, desmilitarização dos colégios estaduais, valorização dos planos de carreira dos professores, ampliação da Universidade Estadual de Goiás (UEG), erradicação do analfabetismo, expansão do ensino técnico e aumento de vagas em creches públicas.

Na segurança, a proposta central é a desmilitarização das forças policiais, com mudanças no modelo atual de atuação das corporações.

Direitos sociais e saúde

O plano prevê a criação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas, centros de referência para mulheres vítimas de violência, assistência jurídica gratuita e programas de prevenção à violência de gênero. O documento também defende a legalização do aborto, o combate à LGBTfobia e políticas de reparação histórica para a população negra.

Na saúde, as medidas focam no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e na redução da participação de organizações sociais (OSs) na gestão hospitalar do estado, com a criação de Centros Regionais de Especialização Médica.

Panorama político

A candidatura de Luciana Amorim integra um cenário eleitoral em Goiás marcado pela disputa entre diferentes projetos políticos. O registro do plano no TSE ocorre em meio à campanha oficial, que começou em agosto. A candidata, que já havia disputado a vice-governança em 2022, busca agora o cargo máximo do Executivo estadual com uma plataforma claramente à esquerda, em contraste com as candidaturas de centro e de direita que também disputam o governo.

A proposta de reestatização de empresas e o salário mínimo estadual colocam o programa no campo do intervencionismo estatal, tema que deve polarizar o debate durante a campanha. A desmilitarização policial e o fim do modelo militar nos colégios também são pontos que tendem a gerar controvérsia entre os eleitores goianos.

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