Haddad propõe tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres e defende que eles paguem pelo equipamento

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu nesta quinta-feira (20) o uso de tornozeleiras eletrônicas por agressores de mulheres que forem liberados enquanto respondem a processos. Segundo ele, esses homens também deveriam arcar com os custos do equipamento. A declaração foi dada durante uma caminhada no Capão Redondo, na Zona Sul da capital paulista.

“Está faltando tornozeleira no estado, né? E muitos agressores não têm tornozeleira. Eu acho um absurdo você manter solto. Uma coisa é prender o agressor, uma prisão preventiva, não existe isso. Outra coisa é liberar esse agressor, sabendo que ele pode reincidir e não ter nada para proteger [a vítima]”, afirmou o petista, que também defendeu que a vítima seja avisada com antecedência sobre a aproximação do agressor.

“A tornozeleira é um instrumento. Ou a prisão, a detenção, ou a tornozeleira para proteger a mulher. Ela tem que saber que o agressor está se aproximando dela com muita antecedência, para ela se prevenir”, completou.

Na sequência, Haddad defendeu que o agressor pague pelo equipamento caso permaneça em liberdade durante o processo. “Se ele quiser ficar solto, ele tem que arcar com os custos de estar liberado enquanto é julgado. O que eu não me conformo é uma pessoa [o agressor] que continua morando na casa dela [a vítima] ou livre. Como é que fica a segurança dela nesse caso? Então, acho que nós precisamos aprofundar esse debate na sociedade”, finalizou.

Impeachment de ministros do STF exige cautela

Na mesma agenda, Haddad também disse que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão sujeitos à lei, mas defendeu cautela em eventuais processos de impeachment para evitar a politização do Judiciário. O candidato foi questionado sobre a declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afirmou ser favorável ao impeachment de ministros do STF durante uma sabatina na CBN. Tarcísio comparou a possibilidade ao processo de impeachment de presidentes da República.

“Todo servidor público é sujeito à lei. Não importa se ele é ministro do Supremo, juiz, promotor, desembargador. Todos os nossos servidores públicos e cidadãos estão sujeitos à lei”, afirmou Haddad. O petista, porém, ressaltou que um eventual processo contra um ministro do Supremo não pode ser motivado por interesses políticos.

“Tem que tomar muito cuidado com isso, porque, de fato, nós precisamos de um Judiciário autônomo para julgar os casos. Não pode ser por conveniência política”, disse. Segundo Haddad, seria perigoso utilizar a possibilidade de impeachment para afastar um ministro que esteja conduzindo uma investigação ou julgando determinado caso. “De repente tem uma pessoa sendo investigada, você tem maioria no Senado e afasta a pessoa para que aquela pessoa não investigue ou faça [o julgamento].”

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