Dívida dos EUA atinge recorde de US$ 40 trilhões: guerra, tarifas e cortes de impostos para ricos são os principais vilões

A dívida pública dos Estados Unidos atingiu um patamar histórico, ultrapassando a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez, conforme dados oficiais. O aumento expressivo do endividamento é atribuído por economistas a uma combinação de fatores: a redução de impostos para os mais ricos, a inflação gerada pela guerra no Oriente Médio — que elevou os preços dos combustíveis — e as tarifas sobre importações impostas pelo governo de Donald Trump. A informação foi divulgada pela Agência Brasil, que consultou especialistas para analisar as causas e consequências desse cenário.

De acordo com a avaliação dos economistas ouvidos pela Agência Brasil, além dos cortes tributários e das tarifas, a dívida recorde também reflete a manutenção de elevados gastos militares, próximos a US$ 1 trilhão, e o aumento vertiginoso dos custos com juros da dívida. Somente em 2026, os juros consumiram US$ 1,1 trilhão do orçamento, mais que o dobro dos US$ 419 bilhões registrados em 2021, segundo dados do Tesouro dos EUA.

Fatores que impulsionaram o endividamento

Os especialistas destacam que a inflação causada pela guerra no Oriente Médio pressionou os preços dos combustíveis, elevando os custos gerais da economia e, consequentemente, os juros dos títulos do Tesouro americano. Além disso, a política agressiva da Casa Branca, marcada por tarifas e ameaças comerciais, como o conflito tarifário com o Canadá, gerou incertezas no mercado, aumentando o chamado “risco Trump”. Esse cenário contribuiu para que os juros cobrados pelos títulos públicos subissem, ampliando o custo da dívida.

Apesar do número impressionante — que dobrou desde 2017 —, os economistas rejeitam a tese de que os EUA estejam em risco de insolvência. Eles argumentam que o país ainda tem capacidade de honrar seus compromissos, mas alertam que a trajetória atual é insustentável a longo prazo e pode gerar impactos na economia global, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.

Panorama e repercussões

O cenário de endividamento recorde nos EUA ocorre em meio a tensões geopolíticas e disputas comerciais que afetam a economia mundial. A guerra no Oriente Médio, além de pressionar os preços de energia, tem gerado ondas de inflação em diversos países. As tarifas impostas por Washington, por sua vez, provocaram retaliações, como as anunciadas pelo Canadá, e acirraram disputas comerciais com aliados históricos.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil também relacionam o aumento dos juros à política fiscal expansionista adotada nos últimos anos, que combinou cortes de impostos para os mais ricos com altos gastos em defesa. Essa combinação, segundo eles, cria um ciclo vicioso: quanto maior a dívida, maiores os juros, e quanto maiores os juros, mais difícil é reduzir o endividamento.

Para o Brasil, o cenário externo de juros altos nos EUA tende a pressionar o câmbio e as taxas domésticas, o que pode impactar a retomada econômica. No entanto, analistas ponderam que o país tem instrumentos para mitigar esses efeitos, como a política de juros do Banco Central e a diversificação de parceiros comerciais.

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