Governo sanciona lei que permite reduzir tributos sobre combustíveis e cria incentivos para minerais críticos e fertilizantes

A presidência da República sancionou a Lei Complementar nº 235, de 27 de agosto de 2026, que estabelece regras para a redução de alíquotas de tributos federais sobre a importação, a produção e a comercialização dos principais combustíveis. O texto, aprovado pelo Senado após passar pela Câmara dos Deputados, foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (28) e visa diminuir os impactos econômicos no mercado internacional de energia decorrentes do conflito no Oriente Médio.

De acordo com a Agência Brasil, a nova lei permite que a eventual redução de tributos incidentes sobre combustíveis seja compensada por receitas extraordinárias obtidas pela União em razão da valorização do petróleo no mercado internacional. Essa medida busca equilibrar as contas públicas enquanto alivia o preço final dos combustíveis para o consumidor, em um cenário de tensões geopolíticas que afetam a oferta global de energia.

Incentivos a setores estratégicos

Além da questão dos combustíveis, a lei cria condições para benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, estimulando setores considerados estratégicos para o país. A medida é vista como um passo para reduzir a dependência externa em insumos essenciais para a agricultura e para a transição energética, fortalecendo a cadeia produtiva nacional.

O texto também prevê um tratamento tributário específico para iniciativas ligadas à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027, que ocorrerá no Brasil. A medida busca atrair investimentos e facilitar a organização do evento, que deve movimentar a economia e o turismo em diversas cidades-sede.

Panorama político e econômico

A sanção ocorre em um momento de atenção do governo federal às flutuações do mercado internacional de energia, agravadas pelo conflito no Oriente Médio. A possibilidade de reduzir tributos sobre combustíveis é uma ferramenta para conter a inflação e preservar o poder de compra da população, mas também gera debates sobre o impacto fiscal e a necessidade de compensações. A lei busca equilibrar esses interesses ao vincular as renúncias de receita a ganhos extraordinários do petróleo.

No campo político, a medida integra um pacote de ações do Executivo para responder a pressões econômicas e setoriais, enquanto o Congresso acompanha a implementação das novas regras. A aprovação rápida no Legislativo, com apoio de diferentes bancadas, indica um consenso em torno da necessidade de mitigar os efeitos da crise energética global. Especialistas, no entanto, alertam para a necessidade de monitorar a eficácia das compensações e o impacto de longo prazo nas contas públicas.

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