O atropelamento de uma jovem de 21 anos e do atual namorado dela, ocorrido na madrugada de 22 de junho de 2026 em Patrocínio Paulista (SP), foi o ápice de uma escalada de violência doméstica que incluiu ameaças com faca, vazamento de vídeos íntimos, agressões físicas e invasão de domicílio, conforme registros policiais e depoimentos obtidos pelo g1. O principal suspeito é Carlos Henrique Lima da Silva, de 22 anos, ex-namorado da vítima, que se apresentou à polícia e é investigado por tentativa de homicídio qualificado e feminicídio. A Justiça já concedeu nova medida protetiva, proibindo o suspeito de se aproximar da jovem e de sua família.
De acordo com a mãe da vítima, Dalila Patricia Ferreira, a filha conheceu Carlos Henrique em 2023, quando tinha 18 anos. Após meses de namoro, foi morar com ele em Patrocínio Paulista, primeiro na casa dos pais dele e depois em uma casa alugada. Nesse período, a jovem se afastou da família, e Dalila relata que o relacionamento era marcado por ciúmes e controle. O primeiro término ocorreu em outubro de 2025, após ameaças com faca.
Em dezembro de 2025, a jovem registrou um boletim de ocorrência contra Carlos Henrique por vazar vídeos íntimos dela após o fim do namoro. A Polícia Civil instaurou inquérito específico para apurar esse crime, que ainda está em andamento. Em janeiro de 2026, o suspeito agrediu o então namorado da ex e invadiu a casa dele, motivando o primeiro pedido de medida protetiva.
Entre fevereiro e maio de 2026, o casal reatou, mas a jovem terminou novamente ao descobrir que Carlos Henrique mantinha outra relação. Em junho, antes do atropelamento, ele tentou reatar enviando flores e presentes, mas a jovem recusou. Na noite de 21 de junho, Carlos invadiu a casa da ex, pegou as chaves do carro e, na madrugada seguinte, atropelou o casal que estava em uma moto. Imagens de câmeras de segurança mostram o veículo atingindo a motocicleta. As vítimas foram socorridas e não correm risco de morte.
Investigação e defesa
O delegado Alan Basalia Lopes, responsável pelo inquérito, informou que aguarda a conclusão dos exames periciais do Instituto Médico Legal (IML) das vítimas, da perícia dos veículos e da análise do local. A defesa de Carlos Henrique, representada pela advogada Sandra Mara Domingos, sustenta a tese de acidente de trânsito. A advogada não representa o suspeito no processo de vazamento de vídeos íntimos.
O caso expõe a gravidade da violência doméstica no interior paulista, onde a falta de redes de apoio e a demora na aplicação de medidas protetivas muitas vezes permitem que agressores escalem o comportamento violento. A jovem e sua família aguardam o desfecho da investigação, enquanto a Justiça tenta garantir a segurança da vítima com novas restrições ao suspeito.
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