A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) levanta alerta sobre o aumento do assédio judicial contra jornalistas no Brasil. O Monitor de Assédio Judicial contra Jornalistas, em sua segunda edição, registrou 784 processos distribuídos em 126 casos nos últimos 11 anos — média de 70 por ano. O levantamento da entidade expõe uma pressão crescente sobre a liberdade de imprensa, com ações que miram desde veículos locais até grandes redações.
O cenário preocupa especialmente em Alagoas, onde políticos e figuras públicas recorrem cada vez mais à Justiça para tentar calar críticas. O monitor da Abraji mostra que a maioria dos processos parte de agentes públicos, como prefeitos e vereadores, que usam ações judiciais como ferramenta de intimidação. ‘É uma estratégia para silenciar o jornalismo investigativo’, ironiza o texto do levantamento, que cita casos emblemáticos no Nordeste.
Para especialistas, o assédio judicial não apenas sobrecarrega o sistema, mas também cria um efeito inibidor sobre repórteres e editores. A Abraji defende a aprovação de leis que protejam jornalistas de ações abusivas, como a chamada ‘lei anti-SLAPP’, que já tramita no Congresso. Enquanto isso, a categoria segue na linha de frente, com verbos de ação no presente: denuncia, repercute e resiste.
O próximo passo esperado é a pressão sobre parlamentares alagoanos para acelerar a votação da lei anti-SLAPP, que pode frear o uso político da Justiça contra a imprensa. Até lá, o monitor da Abraji continuará sendo uma ferramenta crucial para expor o que o jornalista Joaldo Cavalcante chama de ‘epidemia de processos’ no país.
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