Alagoas enfrenta crise de desaparecimentos: 364 casos em 2026, média de duas pessoas por dia

O estado de Alagoas registrou 364 desaparecimentos nos primeiros seis meses de 2026, o que representa uma média de duas pessoas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça divulgados pelo Painel do Sinesp. O número representa um aumento de 5,51% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 345 casos. A maioria dos desaparecidos é do sexo masculino e maior de idade, indicando um padrão que preocupa autoridades e organizações de direitos humanos.

O levantamento, baseado em boletins de ocorrência registrados pelas polícias civis estaduais, aponta que, dos 364 desaparecimentos, 210 são de homens e 154 de mulheres. A faixa etária mais afetada é a de adultos entre 18 e 59 anos, com 278 casos, enquanto crianças e adolescentes (0 a 17 anos) somam 86 registros. Os dados não incluem pessoas localizadas posteriormente, mas o Ministério da Justiça informa que a taxa de localização no estado é de 78%, abaixo da média nacional de 85%.

O aumento nos números ocorre em um contexto de fragilidade na segurança pública em Alagoas, que enfrenta desafios históricos como altas taxas de homicídios e atuação de facções criminosas. Especialistas ouvidos pelo portal Republica do Povo apontam que o crescimento dos desaparecimentos pode estar relacionado a conflitos territoriais entre grupos criminosos, tráfico de pessoas e violência doméstica. A falta de integração entre sistemas de informação das polícias e a demora no início das investigações também são citadas como fatores que dificultam a localização das vítimas.

O Ministério da Justiça destacou que o Painel do Sinesp é uma ferramenta de transparência que permite o acompanhamento em tempo real dos casos, mas ressaltou que os números podem ser subnotificados, já que dependem do registro voluntário das ocorrências. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas afirmou que está implementando um protocolo de busca imediata para desaparecimentos de crianças e adolescentes, e que reforçou o efetivo da Delegacia de Pessoas Desaparecidas. No entanto, organizações como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública cobram ações mais estruturantes, como a criação de um banco de perfis genéticos e a capacitação de agentes para lidar com casos de vulnerabilidade social.

O panorama político em Alagoas também é marcado por disputas eleitorais. João Henrique Caldas (JHC), pré-candidato ao governo do estado em 2026, tem colocado a segurança pública como um dos eixos de sua plataforma, propondo a integração de forças policiais e o uso de tecnologia para rastreamento de pessoas. No entanto, críticos apontam que as propostas ainda carecem de detalhamento orçamentário e de articulação com o governo federal. Enquanto isso, o atual governo estadual, sob pressão, anunciou a ampliação do programa de monitoramento eletrônico de agressores e a criação de uma força-tarefa para investigar desaparecimentos de longa data.

Os dados do Ministério da Justiça reforçam a necessidade de políticas públicas integradas que abordem as causas estruturais dos desaparecimentos, como a desigualdade social, a violência de gênero e a atuação do crime organizado. A sociedade civil alagoana, por meio de coletivos como o Mães da Sé e o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, tem pressionado por mais transparência e agilidade nas investigações, além de apoio psicológico às famílias. O cenário exige que o debate sobre segurança pública vá além do discurso eleitoral e se traduza em ações concretas e monitoramento contínuo.

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