Alfredo Gaspar: de promotor a relator da CPMI do INSS, o novo vice na chapa de Flávio Bolsonaro

O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) foi anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a disputa ao Palácio do Planalto. Aos 55 anos, Gaspar construiu uma carreira marcada pela atuação no Ministério Público de Alagoas, pela gestão da Segurança Pública estadual e pela relatoria da CPMI do INSS, que o projetou nacionalmente. A aliança, considerada “puro-sangue” pelo PL, sela uma parceria que une o bolsonarismo a um nome com histórico de combate à corrupção e pautas conservadoras.

Nascido em Maceió (AL) em 13 de agosto de 1970, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto iniciou a trajetória profissional no Ministério Público de Alagoas aos 25 anos, onde atuou por mais de duas décadas em promotorias criminais. No MP, ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça por dois períodos e presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), consolidando reputação de firmeza no enfrentamento ao crime organizado.

A carreira política de Gaspar, no entanto, tem raízes em alianças que atravessam o espectro ideológico. Antes de se alinhar ao bolsonarismo, ele foi próximo do senador Renan Calheiros (MDB) e do ex-governador Renan Filho (MDB), que chegou a comandar o Ministério dos Transportes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2015, a convite de Renan Filho, assumiu a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, cargo que ocupou até 2016, quando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a impedir que membros do Ministério Público exercessem funções políticas no Executivo sem deixar a carreira.

Em 2020, Gaspar deixou definitivamente o MP para disputar seu primeiro cargo eletivo. Candidato à Prefeitura de Maceió pelo MDB, liderou o primeiro turno, mas foi derrotado no segundo turno por João Henrique Caldas (JHC), atual pré-candidato ao governo de Alagoas. Após a eleição, retornou ao governo estadual para reassumir a Secretaria de Segurança Pública. No início de 2022, rompeu politicamente com o grupo de Renan Filho em meio à sucessão estadual, deixou o MDB e filiou-se ao União Brasil, partido pelo qual concorreu à Câmara dos Deputados. Eleito com uma das votações mais expressivas do estado e a mais alta da capital, Maceió, Gaspar migrou para o PL em 2026, assumindo o comando estadual da sigla.

Relatoria da CPMI do INSS e projeção nacional

No Congresso, Alfredo Gaspar consolidou um perfil de alinhamento à pauta conservadora. Sua atuação ganhou destaque nacional ao assumir a relatoria da CPMI do INSS, comissão mista criada para investigar fraudes e desvios bilionários em aposentadorias e pensões. Em março de 2026, Gaspar apresentou um relatório com mais de 1,2 mil páginas, no qual pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro. O documento incluía dirigentes de estatais, empresários, parlamentares e integrantes dos núcleos políticos de diferentes gestões federais, o que gerou fortes embates com a base governista de Lula durante os trabalhos da comissão.

A escolha de Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro reforça a estratégia do PL de ampliar sua base eleitoral no Nordeste, região onde o partido busca crescer. A aliança une o capital político do senador, herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro, à imagem de um ex-magistrado com histórico de enfrentamento à corrupção. Especialistas apontam que a chapa pode atrair eleitores que priorizam pautas de segurança pública e combate a fraudes, mas também reacende debates sobre a polarização política e o papel das investigações no cenário eleitoral de 2026.

O anúncio ocorre em um momento de intensa movimentação partidária, com alianças sendo costuradas em todo o país. A candidatura de Flávio Bolsonaro, ainda não oficializada, já enfrenta desafios jurídicos e políticos, mas a adição de Gaspar ao ticket é vista como um movimento para fortalecer a chapa em estados como Alagoas, onde o deputado mantém forte base eleitoral. A trajetória de Gaspar, que transitou do MDB ao PL, ilustra a fluidez das alianças políticas no Brasil e a busca por nomes com apelo popular e credibilidade institucional.

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