Amcham vê janela de negociação para evitar tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros

A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio no Brasil) afirmou nesta terça-feira (2) que o relatório preliminar do governo dos Estados Unidos, que recomenda tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, deixa aberta uma janela de negociação que poderá evitar a adoção das medidas, por reconhecer avanços em algumas áreas. O novo tarifaço traz uma lista de exceções, com produtos dos quais os EUA dependem, como suco de laranja e carnes.

A avaliação da entidade ocorre em meio à escalada de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que se intensificou após a conclusão de uma investigação do governo Trump contra o Brasil. O relatório, divulgado na última semana, propõe sobretaxas de 25% sobre uma ampla gama de itens exportados pelo país, mas também sinaliza que o Brasil fez progressos em setores como propriedade intelectual e acesso a mercados.

Panorama político e econômico

O posicionamento da Amcham Brasil reflete um momento de incerteza nas relações bilaterais, que já foram marcadas por parcerias históricas, mas agora enfrentam desafios protecionistas. A entidade, que representa os interesses de empresas americanas instaladas no Brasil, destacou que a disposição de Washington em reconhecer avanços brasileiros abre espaço para um diálogo construtivo. “Há uma oportunidade real de evitar o tarifaço se ambos os lados demonstrarem flexibilidade”, afirmou a entidade em nota.

Entre os produtos que ficaram de fora da lista de tarifas estão o suco de laranja e as carnes, itens de grande relevância para a economia brasileira e que são essenciais para o mercado americano. A exclusão desses itens é vista como um sinal de que os EUA reconhecem a interdependência comercial entre os dois países. No entanto, a proposta ainda precisa passar por consulta pública e pode sofrer alterações antes de ser implementada.

O cenário político no Brasil também influencia as negociações. O governo brasileiro, sob pressão de setores agropecuários e industriais, já sinalizou que buscará uma solução diplomática, mas não descarta medidas retaliatórias caso as tarifas sejam confirmadas. Especialistas apontam que uma guerra comercial entre as duas maiores economias das Américas poderia ter impactos negativos para ambos os lados, afetando cadeias produtivas e elevando custos para consumidores.

A Amcham Brasil reforçou que continuará atuando como ponte entre os governos e o setor privado para facilitar o entendimento. “O relatório é um ponto de partida, não um veredito final. Cabe a nós aproveitar essa janela para construir uma solução que beneficie tanto brasileiros quanto americanos”, concluiu a entidade.

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