A crescente influência de criadores de conteúdo nas decisões de investimento dos brasileiros levou a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) a formular, pela primeira vez, um ranking dos apelidados “finfluencers” com qualificação técnica formal, conforme divulgado em 31 de maio de 2026. A iniciativa inédita busca organizar e dar transparência ao mercado de influenciadores financeiros, que ganhou força nos últimos anos com a popularização de aplicativos de investimento e a busca por educação financeira digital.
O ranking, publicado pela Folha de S.Paulo, lista os influenciadores que possuem certificações reconhecidas pela Anbima, como a CPA-20, CPA-10 e CEA, além de outros títulos técnicos que atestam conhecimento em finanças e mercado de capitais. A associação atualizou seus modelos de certificação para profissionais do mercado financeiro, conforme reportagem anterior, e agora estendeu essa qualificação aos criadores de conteúdo digital, que frequentemente orientam seguidores sobre investimentos, ações e fundos.
Critérios e impacto do ranking
Para entrar no ranking, os influenciadores precisam comprovar certificação ativa e em dia, além de não terem sofrido sanções regulatórias nos últimos cinco anos. A lista inclui nomes conhecidos do público, como Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe!, e Gustavo Cerbasi, autor de livros de finanças pessoais, mas também contempla perfis menores que ganharam destaque em nichos específicos, como investimento em criptomoedas e renda fixa. A Anbima informou que o ranking será atualizado trimestralmente, com base em dados fornecidos pelas próprias plataformas de certificação e pelos influenciadores.
O panorama político e econômico brasileiro influencia diretamente a relevância desse ranking. Com a inflação controlada e a taxa Selic em 10,5% ao ano, segundo dados do Banco Central de maio de 2026, o mercado de investimentos atrai cada vez mais pequenos investidores, que buscam orientação em redes sociais como Instagram, YouTube e TikTok. No entanto, a falta de regulação específica para influenciadores financeiros gerou preocupações entre órgãos como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que já investigou casos de informações enganosas. A Anbima, ao criar o ranking, tenta preencher essa lacuna, oferecendo uma referência confiável para o público.
A lista completa pode ser acessada no site da Folha de S.Paulo, que publicou a reportagem original. Entre os destaques, estão influenciadores com mais de 500 mil seguidores, que acumulam certificações em áreas como análise de investimentos e planejamento financeiro. A Anbima também anunciou que vai promover um evento online em junho de 2026 para discutir o papel dos finfluencers no mercado, com participação de representantes da CVM e do Banco Central.
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