Após o disparo indevido de alertas da Defesa Civil em sete estados brasileiros, causado por uma invasão hacker, o governo federal anunciou nesta quinta-feira (26) um pacote de medidas emergenciais para reforçar os protocolos de segurança do sistema de emergência. As ações incluem ajustes operacionais, revisão de senhas e a criação de um comitê de crise para investigar o incidente e evitar novas ocorrências. O caso, que mobilizou a Polícia Federal, expõe fragilidades na infraestrutura digital de proteção civil e acendeu o alerta para riscos cibernéticos em serviços públicos essenciais.
De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, os alertas falsos foram enviados por meio do sistema Cell Broadcast, tecnologia utilizada para notificações em massa em situações de desastre. A invasão ocorreu na madrugada de quarta-feira (25), afetando estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As mensagens, que simulavam avisos de enchentes e deslizamentos, causaram pânico entre a população e sobrecarregaram as centrais de atendimento da Defesa Civil.
Medidas anunciadas e investigação em andamento
Entre as principais medidas divulgadas pelo governo estão a implementação de autenticação multifator para acesso ao sistema, a revisão de todas as senhas de administradores e a realização de auditoria de segurança cibernética nos servidores da Defesa Civil. Além disso, será criado um comitê interministerial, com participação dos ministérios da Justiça e Segurança Pública, da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação, para coordenar as ações de resposta e prevenção. A Polícia Federal já abriu inquérito para investigar a origem do ataque, que pode ter partido de grupos hackers internacionais, conforme fontes ouvidas pela reportagem.
O incidente ocorre em um contexto de crescente digitalização dos serviços públicos e de aumento de ataques cibernéticos no Brasil. Dados do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) indicam que, somente em 2025, foram registrados mais de 12 mil incidentes cibernéticos contra órgãos governamentais, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. Especialistas apontam que a vulnerabilidade de sistemas como o da Defesa Civil pode ter consequências graves, incluindo a perda de confiança da população em alertas legítimos.
Panorama político e reações
O episódio gerou reações imediatas no cenário político. Parlamentares da oposição cobraram explicações do governo e pediram a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a segurança cibernética dos sistemas públicos. Já a base aliada defendeu as medidas anunciadas e destacou a rapidez na resposta. O Ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, em coletiva de imprensa, afirmou que “o governo está tomando todas as providências para garantir que situações como essa não se repitam” e que “a segurança da população é prioridade absoluta”.
A invasão hacker também reacendeu o debate sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura digital e capacitação de equipes técnicas. Em nota, a Associação Brasileira de Defesa Civil (ABDC) alertou que “o sistema de alertas precisa de atualização constante e de protocolos robustos para evitar que ataques cibernéticos comprometam a segurança da população”. O governo, por sua vez, afirmou que está em contato com especialistas internacionais para adotar as melhores práticas de segurança.
Enquanto as investigações avançam, a população deve ficar atenta a comunicados oficiais e evitar compartilhar informações não verificadas. A Defesa Civil orienta que, em caso de dúvida sobre a veracidade de um alerta, os cidadãos liguem para o número 199 ou consultem os canais oficiais do órgão em seus estados.
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