Em meio a pressões do Partido dos Trabalhadores (PT) e de setores do governo para modificar o arcabouço fiscal em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe econômica do governo reafirma que a regra fiscal veio para ficar, embora reconheça que a discussão sobre ajustes é legítima. A posição foi divulgada nesta segunda-feira (22) pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e reflete a tensão entre a necessidade de disciplina fiscal e as demandas por maior flexibilidade orçamentária.
De acordo com fontes da área econômica, o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, é considerado um instrumento essencial para garantir a sustentabilidade das contas públicas e a credibilidade do país junto a investidores e agências de classificação de risco. Apesar das críticas internas, a equipe liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende a manutenção da regra, mas admite que ajustes pontuais podem ser discutidos, desde que não comprometam o equilíbrio fiscal.
Pressões do PT e cenário político
As pressões do PT e de aliados do governo ocorrem em um contexto de debate sobre a necessidade de ampliar os gastos públicos para áreas como saúde, educação e infraestrutura, especialmente em um eventual segundo mandato de Lula. Setores mais à esquerda do partido defendem a revisão do arcabouço para permitir maior espaço fiscal, enquanto a ala mais moderada busca equilibrar as demandas sociais com a responsabilidade fiscal.
O arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos, estabelece regras para o crescimento das despesas primárias, vinculando-as à variação da receita e ao cumprimento de metas de resultado primário. A regra tem sido alvo de críticas de economistas e políticos que a consideram rígida demais, mas também é defendida por aqueles que veem nela um mecanismo de controle do endividamento público.
Impactos e perspectivas
A manutenção do arcabouço fiscal é vista como um sinal de compromisso do governo com a responsabilidade fiscal, o que pode influenciar a confiança do mercado e as taxas de juros. No entanto, a pressão por ajustes reflete a complexidade do cenário político, onde o governo precisa conciliar as demandas de sua base aliada com a necessidade de manter a credibilidade econômica.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a discussão sobre o arcabouço fiscal é legítima e faz parte do processo democrático, mas alertam para os riscos de alterações que possam comprometer a trajetória de redução da dívida pública. O debate deve se intensificar nos próximos meses, à medida que o governo se prepara para as eleições de 2026 e define suas prioridades para um eventual novo mandato.
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