Assessor de Lula defende cooperação internacional contra crime, mas rejeita intervenção estrangeira

O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira (28) que o crime organizado deve ser combatido, mas que segurança é tema “nacional”, que cooperação internacional é “bem-vinda”, não podendo servir de “pretexto” para intervenção. “Inaceitável”, declarou Amorim, em meio ao anúncio dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável”, disse Celso Amorim, em evento internacional sobre segurança.

A Presidência da República e o Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestaram oficialmente. O Itamaraty não recebeu nenhuma comunicação formal do governo americano. Fontes da diplomacia informam que o plano agora é observar o conteúdo detalhado da decisão e estudar os impactos e os efeitos práticos dessa medida, baseando-se em outros países onde os EUA já adotaram prática semelhante.

Movimento monitorado

O movimento de Washington não pegou o Ministério das Relações Exteriores (MRE) totalmente de surpresa. O Itamaraty já monitorava essa movimentação e essa possibilidade nunca foi descartada. Diplomatas reforçam que o Brasil manterá a linha do diálogo e da cooperação internacional no combate ao crime, por considerá-la a via mais eficaz.

Antes do anúncio, Celso Amorim afirmou em um encontro internacional sobre segurança que o crime organizado deve ser combatido, mas acrescentou que classificar as facções criminosas como organizações terroristas “não ajuda”. “O crime organizado deve ser combatido com energia e determinação. Equiparar o crime organizado com terrorismo, no entanto, não ajuda. Entender as motivações é essencial para a efetividade da luta contra todos os tipos de crime”, afirmou Amorim.

“O governo brasileiro vai continuar investindo em segurança e bem-estar do seu povo. Entretanto, não podemos ignorar as ameaças de viver em um mundo sem regras no qual o unilateralismo prevalece”, acrescentou. Em seguida, o assessor do presidente Lula disse que o governo tem dado “cada vez mais atenção” à política de defesa, aumentando competências tecnológicas e modernizando equipamentos para assegurar “capacidade de dissuasão”.

Conforme o anúncio do Departamento de Estado americano, órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores no Brasil, o PCC e o CV são duas das principais organizações criminosas do país, com atuação internacional. A medida americana pode implicar sanções financeiras e restrições a indivíduos ligados aos grupos, além de facilitar a cooperação em investigações. O cenário político geral reflete tensões entre a soberania nacional e a pressão externa por ações mais duras contra o crime organizado, em um contexto de crescente influência de facções brasileiras no exterior.

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