Uma bactéria capaz de consumir urânio foi descoberta em uma antiga mina da União Soviética, revelando potencial inédito para a descontaminação de ambientes radioativos e o tratamento de resíduos nucleares. O microrganismo, identificado por pesquisadores em uma mina desativada localizada no território que pertenceu à extinta União Soviética, representa um avanço significativo na área de biorremediação, com impacto direto na segurança ambiental e na gestão de passivos nucleares históricos.
A descoberta foi publicada em estudo científico que detalha as propriedades da bactéria, capaz de metabolizar urânio em condições extremas de radiação e acidez. O microrganismo foi isolado em amostras coletadas na mina, que operou durante o período soviético e foi abandonada sem tratamento adequado, deixando um legado de contaminação radioativa no solo e na água da região.
Os cientistas responsáveis pela pesquisa destacam que a bactéria pode ser utilizada em processos de biorremediação, ou seja, no uso de organismos vivos para limpar poluentes. No caso, o urânio consumido pelo microrganismo é transformado em formas menos tóxicas ou mais fáceis de serem removidas do ambiente. Isso abre caminho para soluções mais baratas e sustentáveis em comparação com métodos tradicionais de descontaminação, que envolvem escavação, transporte e armazenamento de material radioativo.
O estudo também aponta que a bactéria pertence a um grupo de microrganismos extremófilos, adaptados a condições hostis como altos níveis de radiação, pH ácido e presença de metais pesados. A identificação foi feita por meio de técnicas de sequenciamento genético e cultivo em laboratório, que confirmaram a capacidade do organismo de utilizar urânio como fonte de energia em seu metabolismo.
O impacto potencial da descoberta vai além da mina original. Especialistas em gestão de resíduos nucleares avaliam que a bactéria pode ser aplicada em outros locais contaminados por atividades de mineração de urânio, usinas nucleares desativadas e acidentes radioativos, como os de Chernobyl e Fukushima. A tecnologia de biorremediação com microrganismos já é usada para tratar poluentes orgânicos, mas a adaptação para elementos radioativos representa um salto científico.
No entanto, os pesquisadores alertam que ainda são necessários estudos adicionais para garantir a segurança e a eficácia do uso da bactéria em larga escala. Questões como a contenção do microrganismo, o monitoramento de possíveis efeitos colaterais e a integração com outras técnicas de descontaminação precisam ser resolvidas antes de qualquer aplicação prática.
A descoberta também reacende o debate sobre o legado ambiental da mineração de urânio durante a Guerra Fria, quando a União Soviética explorou intensamente esse recurso para fins militares e energéticos. Muitas minas foram abandonadas sem planos de remediação, deixando comunidades locais expostas à radiação. A nova bactéria pode oferecer uma ferramenta para lidar com esse passado, mas também levanta questões sobre a responsabilidade dos governos e empresas envolvidos.
O estudo foi recebido com entusiasmo pela comunidade científica internacional, que vê na bactéria uma oportunidade de avançar na área de biotecnologia nuclear. Organizações ambientais, por sua vez, pedem cautela e transparência nos próximos passos da pesquisa, destacando a necessidade de envolver as populações afetadas por contaminação radioativa.
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