Com a ajuda da Casa Branca, o bolsonarismo tornou-se o único movimento político que conseguiu aumentar os impostos dos brasileiros estando na oposição. A afirmação é do colunista Celso Rocha de Barros, da Folha de S.Paulo, que analisa a articulação liderada por Flávio Bolsonaro contra o sistema de pagamentos instantâneos Pix, em favor de um modelo privado inspirado nos Estados Unidos.
O movimento, que ganhou força com o apoio explícito da administração norte-americana, resultou em medidas que elevaram a carga tributária sobre a população, mesmo sem o grupo estar no comando do Executivo federal. A proposta de Flávio Bolsonaro de substituir o Pix por um sistema privado, similar ao adotado nos EUA, foi gravada e divulgada, gerando reações no meio político e econômico.
Articulação internacional e impacto tributário
A aliança entre o bolsonarismo e a Casa Branca, sob a gestão de Donald Trump, permitiu que o grupo pressionasse por mudanças no sistema financeiro brasileiro. A proposta de Eduardo Bolsonaro, que articulou contra o Pix e sugeriu um sistema privado dos EUA, foi um dos pilares dessa estratégia. A reunião em que Eduardo Bolsonaro defendeu a ideia foi gravada e tornada pública, evidenciando a coordenação entre os parlamentares e o governo norte-americano.
O resultado prático, segundo analistas, foi o aumento de impostos indiretos sobre transações financeiras, afetando principalmente os consumidores de baixa renda. A medida contrasta com o discurso de redução de carga tributária frequentemente associado à direita brasileira.
Panorama político e reações
A ação de Flávio Bolsonaro e aliados ocorre em meio a um cenário de tensão política no Brasil, onde o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta desafios para aprovar reformas econômicas. Enquanto isso, parlamentares governistas viajaram aos EUA para contrapor narrativas da direita e defender a soberania brasileira, em uma tentativa de equilibrar a influência externa sobre a política nacional.
O episódio também se conecta a outras polêmicas envolvendo o bolsonarismo, como a ação judicial de Renan Calheiros que expõe aplicações milionárias da previdência de Maceió no Banco Master, mirando o prefeito JHC e ex-gestores do Iprev. A recuperação acima da média de Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, conforme boletim médico, e a manutenção da multa de R$ 452 mil a Roberto Jefferson pelo STF, com votos de Alexandre de Moraes e Flávio Dino, também compõem o cenário de embates judiciais e políticos.
A proposta de Eduardo Bolsonaro contra o Pix, amplamente criticada por especialistas em finanças, é vista como uma tentativa de desestabilizar o sistema de pagamentos que beneficiou milhões de brasileiros com transações gratuitas e rápidas. A articulação com a Casa Branca, no entanto, levantou questionamentos sobre a interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
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