Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro após tarifaço dos EUA e alerta para risco de quebra de setores inteiros

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta quinta-feira (16) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada nessa quarta-feira (15). O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo “tarifaço” com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

Nas redes sociais, Caiado criticou a polarização, afirmou que setores inteiros podem “quebrar”, enquanto Lula “não tem capacidade de dialogar” e Flávio “está preocupado com as eleições”. “O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar. Não é conversa fiada. É a conta mesmo que não fecha, com 25% a mais de tarifa, que pode chegar a 37,5% somada a outras sobretaxas em análise, indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada”, escreveu. “O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país”, prosseguiu.

Críticas ao agro e à postura de Flávio Bolsonaro

Antes disso, Caiado já tinha publicado outra mensagem nas redes sociais com críticas mais contundentes a Flávio Bolsonaro, pelo fato de o senador ter viajado para participar de uma audiência pública sobre o tarifaço e ter pedido adiamento das medidas até as eleições. Na mesma mensagem, o ex-governador de Goiás afirmava que o governo tratava a situação das tarifas com “cuidados paliativos”. “O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil. Ninguém fala sobre isso. China taxa nossa carne em 55%. UE vetou a carne brasileira. EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos. Em Goiás, sem subsídio, sem discurso, viramos o maior produtor de etanol de milho do país. Isso é gestão”, mencionou.

Em outro momento, Caiado defendeu que o Brasil adote a Lei da Reciprocidade Econômica. “Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto. Minha proposta é reciprocidade de verdade.”

O panorama político geral revela que a polarização entre os dois principais campos — representados por Lula e Flávio Bolsonaro — tem sido criticada por lideranças como Caiado, que busca se posicionar como uma terceira via. A pesquisa Quaest de julho aponta Lula na liderança e Flávio Bolsonaro em queda, com diferença de 8 pontos no segundo turno. Caiado já havia criticado anteriormente a herança política de Flávio Bolsonaro e alertado para a ausência de debate sobre temas estratégicos na campanha, como o tarifaço e seus impactos econômicos.

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