Em tom irônico, o pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou, em entrevista ao programa “Questão de Cidadania”, da Rede Gospel FM, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria “o melhor presidente que o Paraguai já teve”. A frase surgiu ao comentar que a política econômica do governo federal estaria beneficiando o país vizinho em detrimento do Brasil, em um contexto de crescentes tensões comerciais e fiscais na região.
A declaração veio no contexto de um relato sobre uma visita recente à Rua 25 de Março, em São Paulo, onde, segundo o ex-governador de Goiás, comerciantes locais vêm transferindo empresas para o Paraguai para escapar da carga tributária brasileira. Caiado destacou que esse movimento migratório de negócios reflete um desequilíbrio competitivo que, em sua visão, é agravado pelas políticas do governo federal.
A fala resumiu o tom geral da conversa, em que o ex-governador de Goiás passou por segurança pública, sistema prisional, saúde e educação, contrapondo seus dois mandatos à frente do estado às políticas do governo federal. A entrevista, transmitida ao vivo, gerou repercussão imediata nas redes sociais e entre analistas políticos, que veem na declaração uma estratégia de polarização para as eleições de 2026.
Panorama político e críticas ao PT
O pré-candidato também utilizou o espaço da entrevista para acusar o Partido dos Trabalhadores (PT) de ser conivente com o narcotráfico, citando como exemplo o caso de um ex-vereador paulistano denunciado por suposta ligação com o crime organizado em 2014. A crítica insere-se em um contexto mais amplo de disputa eleitoral, onde a segurança pública emerge como tema central, especialmente após o aumento da violência em estados como Bahia e Rio de Janeiro.
Caiado afirmou que entre 50 e 60 milhões de brasileiros vivem hoje sob domínio de facções, que segundo ele já teriam avançado sobre setores da economia formal, como bancos, fintechs, transporte urbano, coleta de lixo e supermercados. Criticou o presidente Lula por discursos em que, segundo Caiado, o petista teria amenizado a responsabilidade brasileira pelo combate ao narcotráfico e questionado a entrada de armamento vindo dos Estados Unidos. A fala ecoa posições de setores conservadores que defendem maior rigor no controle de fronteiras e no combate ao crime organizado.
Sistema prisional e modelo de Goiás
Sobre o sistema prisional, Caiado defendeu o modelo adotado em Goiás — com bloqueio de celulares, fim de visitas íntimas, monitoramento ambiental e uso de scanners corporais — como responsável por reduzir a capacidade de líderes presos de comandar o crime a partir de dentro das penitenciárias. O ex-governador destacou que, durante seus mandatos, a taxa de homicídios no estado caiu significativamente, atribuindo o resultado às políticas de segurança implementadas.
A entrevista ocorre em um momento em que o governo federal enfrenta pressão de governadores de diferentes partidos por maior repasse de recursos para segurança pública e reforma do sistema prisional. A declaração de Caiado, portanto, não apenas critica a gestão Lula, mas também posiciona o pré-candidato como alternativa de linha-dura no espectro político, em contraste com a abordagem mais dialogada do PT.
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