Comissão do Senado aprova projeto que obriga presidente da CVM a prestar contas a cada seis meses

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (30), em turno suplementar, o projeto de lei que obriga o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a prestar contas ao colegiado a cada seis meses sobre a atuação da autarquia. De autoria da senadora Jussara Lima (PSD-PI), o texto tem caráter terminativo — ou seja, caso não haja recurso, segue diretamente para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta estabelece que o presidente da CVM deverá apresentar, no Senado Federal, em arguição pública, no primeiro e no segundo semestres de cada ano, um relatório detalhado sobre a evolução do mercado de valores mobiliários, o cumprimento do mandato institucional da autarquia e a execução do plano estratégico vigente. O modelo replica a fiscalização já aplicada ao Banco Central, cujo presidente comparece ao Senado semestralmente para prestar contas.

Contexto político e impacto regulatório

O projeto ganhou força após a CVM se tornar alvo de críticas de parlamentares em razão de sua atuação no escândalo envolvendo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A crise expôs fragilidades na supervisão do mercado de capitais e gerou pressão por maior transparência e controle sobre o órgão regulador. O relator da matéria, senador Eduardo Braga (MDB-AM), líder do partido no Senado, incorporou ao texto a exigência de que o relatório inclua um parecer sobre a evolução do mercado e das atividades da CVM.

A aprovação ocorre em um momento de intenso debate sobre a governança de autarquias federais e a necessidade de equilíbrio entre independência técnica e prestação de contas ao Legislativo. A medida é vista como um avanço no fortalecimento da fiscalização parlamentar sobre órgãos reguladores, especialmente após episódios que colocaram em xeque a eficácia da supervisão do mercado financeiro.

Se aprovada pela Câmara e sancionada, a nova regra representará uma mudança significativa na rotina da CVM, que passará a ter de submeter sua gestão a escrutínio periódico no Senado. A expectativa é que a prestação de contas semestral aumente a transparência e a responsabilidade da autarquia perante a sociedade e os investidores.

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