Campanha de Flávio Bolsonaro mira eleitorado evangélico com vídeos personalizados e aproximação com líderes religiosos

Preocupada com o avanço de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os evangélicos, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, decidiu produzir vídeos específicos para diferentes segmentos do eleitorado evangélico. A estratégia foi revelada após pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) apontar que Flávio tem 35% das intenções de voto entre evangélicos, enquanto Lula soma 28%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de 4 pontos percentuais. No levantamento de julho, Flávio tinha 39% e Lula 26%, sem empate técnico.

A decisão de segmentar a comunicação reflete a preocupação da coordenação de campanha com a aproximação de Lula desse eleitorado, que historicamente tem forte peso nas decisões eleitorais. A pesquisa Quaest também mostrou que, em um eventual segundo turno, Lula lidera com 44% contra 39% de Flávio Bolsonaro, o que acendeu o alerta no núcleo político do candidato.

Vídeos personalizados por denominação

A ideia é que Flávio Bolsonaro grave vídeos personalizados para serem disseminados entre diferentes denominações evangélicas, considerando as particularidades de cada uma. Diferentes igrejas usam saudações distintas entre seus integrantes: a Assembleia de Deus, por exemplo, utiliza “a paz do Senhor” como cumprimento; a Igreja Vitória em Cristo opta por “a paz de Cristo”; entre as igrejas batistas, os fiéis se cumprimentam com “graça e paz”; e na Congregação Cristã do Brasil, a preferência é por “a paz de Deus”. Além dos cumprimentos, temas mais caros a cada igreja também devem ser destacados nos vídeos, que serão produzidos pela equipe de comunicação da campanha.

Aproximação com líderes religiosos

A reunião da coordenação evangélica da campanha também apontou a necessidade de o próprio candidato fazer gestos a líderes de cinco igrejas para pedir apoio e aumentar a aproximação. Entre elas está o Ministério de Madureira, do bispo Manoel Ferreira, que chegou a anunciar apoio ao candidato Ronaldo Caiado (PSD). Outra denominação alvo é a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, ligada ao partido Republicanos, que optou por neutralidade nas eleições presidenciais.

O primeiro encontro já deve acontecer neste próximo fim de semana, com a expectativa de uma reunião entre Flávio Bolsonaro e o bispo Valdomiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. A aproximação com esses líderes é vista como estratégica para ampliar a base de apoio do candidato entre os evangélicos, um segmento que pode ser decisivo na disputa presidencial.

O movimento ocorre em um cenário de disputa acirrada pelo voto evangélico, com Lula intensificando sua comunicação com esse público e Flávio Bolsonaro buscando reverter o empate técnico apontado pela pesquisa. A estratégia de segmentação por denominação é inédita e demonstra a preocupação da campanha em atender às especificidades de cada grupo religioso, em um esforço para consolidar apoio e evitar surpresas nas urnas.

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