A pré-candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado por São Paulo tem gerado forte discórdia no campo da direita, expondo uma tensão crescente com aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Fora da chapa oficial encabeçada por Tarcísio, que disputa a reeleição, Salles concentra ataques ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), a quem acusa de não ser “tão bolsonarista como quer fingir que é”. A disputa promete acirrar os ânimos nas eleições de outubro.
Segundo a mais recente pesquisa Quaest, Salles e Prado aparecem tecnicamente empatados nas intenções de voto para o Senado, ambos atrás das candidatas da chapa de Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). À frente deles também está Pablo Marçal (União Brasil), que se encontra inelegível, e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), colega de chapa de Prado e ex-secretário da Segurança Pública de Tarcísio.
Convenção revela racha e ausência estratégica
Durante a convenção estadual do partido, realizada no último dia 20, Derrite evitou criticar Salles e afirmou manter amizade com o ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PL). “Se tivéssemos só dois candidatos da direita, teríamos mais chance de fazer as duas cadeiras [no Senado]. Agora, ele tem o direito de concorrer, e eu não vejo o Ricardo Salles como um adversário político. Nunca foi e não vai ser agora”, declarou Derrite na ocasião.
No mesmo evento, André do Prado demonstrou visível desconforto ao ser questionado sobre como lidaria com a candidatura de Salles. Em resposta, afirmou que quem teria de lidar com essa questão seria o próprio adversário, uma vez que ele e Derrite foram os escolhidos da família Bolsonaro e de Tarcísio. No entanto, chamou a atenção a ausência do presidente da Alesp durante os discursos de Tarcísio e do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
À mesa, estavam reunidos diversos líderes e candidatos da direita, incluindo Derrite, Flávio, Maurício Neves (PP), Milton Leite (União Brasil), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o vice-governador Felício Ramuth (MDB) e o deputado estadual Delegado Olim (PP). Tanto Tarcísio quanto Flávio citaram nominalmente Derrite e André do Prado ao se referirem à chapa estadual para o Senado, mas o deputado estadual já não estava mais presente para receber os elogios.
Segundo a assessoria de Prado, ele deixou o evento na Casa Legislativa que preside para prestigiar, em Osasco, o lançamento da pré-candidatura de Rogério Lins (Podemos) a deputado estadual. Lins foi prefeito da cidade por dois mandatos consecutivos e ocupou o cargo de secretário municipal de Esportes na atual gestão de Ricardo Nunes em São Paulo.
Panorama político e impacto da divisão
A disputa interna na direita paulista evidencia um cenário de fragmentação que pode beneficiar adversários. Com três pré-candidatos fortes no campo conservador — Salles, Prado e Derrite —, a chance de eleger duas cadeiras para o Senado diminui, como reconheceu o próprio Derrite. A pesquisa Quaest indica que Marina Silva e Simone Tebet lideram as intenções de voto, o que acende um alerta entre os apoiadores de Bolsonaro e Tarcísio.
A ausência de André do Prado na convenção, justamente no momento em que era elogiado, reforça a percepção de que a aliança entre os grupos de Salles e Prado está longe de ser pacífica. Enquanto isso, Salles segue apostando em uma candidatura autônoma, mirando o eleitorado bolsonarista e tentando se diferenciar do establishment político local.
O cenário deve se intensificar nas próximas semanas, com a aproximação das convenções partidárias e o início oficial da campanha eleitoral. A direita paulista, que já enfrentou desafios de unidade em pleitos anteriores, agora vê na disputa pelo Senado um novo teste de coesão, com potenciais reflexos para a eleição presidencial e para o equilíbrio de forças no Congresso Nacional.
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