Cidade americana que fabrica mísseis para Trump vive fervor religioso e apoio à guerra contra o Irã

Em Kingsport, no Estado americano do Tennessee, a fé cristã e a produção de armamentos caminham lado a lado. A cidade de 58 mil habitantes, que abriga a fábrica Holston de munições do Exército, é responsável por produzir explosivos usados em mísseis Patriot, ogivas e outros armamentos pesados, em meio à custosa e prolongada guerra dos EUA com o Irã. Enquanto a aprovação do presidente Donald Trump despenca nacionalmente, aqui o apoio à guerra e ao presidente beira o fervor religioso, como mostram os moradores locais.

O veterano David Carter, de 66 anos, é um cristão declarado e apoia a ação dos EUA no Irã. Ele é um dos muitos residentes que veem na guerra uma necessidade para proteger o país. “O motivo de irmos até lá e mantermos tudo sob controle é para que o problema não chegue à nossa porta”, afirma. James Camper, veterano de 63 anos, é mais direto: “Sinceramente, acho que deveríamos transformar esses lugares em estacionamento e não nos preocuparmos mais com isso”.

A cidade, que vota esmagadoramente em Trump nas últimas três eleições, reflete o sentimento de todo o Tennessee, um Estado republicano há mais de 25 anos. A comunidade apalache de Kingsport é descrita por moradores como tendo “uma igreja em cada rua”, com mais de 300 igrejas na região. Acima do histórico teatro Lamplight, uma placa proclama: “Jesus em primeiro lugar em todas as coisas”.

No entanto, a guerra com o Irã tem custos. Os preços da gasolina nos EUA dispararam para mais de US$ 4 por galão (R$ 5,48 por litro), um aumento doloroso para empresas e famílias. Pesquisas recentes apontam a aprovação de Trump em um mínimo histórico de 32% — uma queda de 14% desde que ele assumiu o cargo em janeiro de 2025 —, com muitos republicanos citando desilusão com as políticas do presidente. Os dois grandes fatores que prejudicam a popularidade são o custo de vida e a guerra, um afetando o outro.

Panorama político e econômico

Em Kingsport, a fábrica Holston é a principal fonte de sustentação econômica, empregando muitos moradores e movimentando a economia local. Pam Robinson, de 65 anos, que trabalhou por 20 anos em uma fábrica de produtos químicos local, justifica a guerra: “Se ele puder impedir que alguém tenha uma bomba nuclear, então sou a favor”. Ela se identifica como cristã fervorosa, sem filiação partidária fixa.

Os veteranos representam cerca de 10% da população da região, e muitas famílias têm membros em serviço ativo nas Forças Armadas. A cidade, que já foi um polo industrial, hoje depende diretamente da indústria bélica, o que explica em parte o apoio à guerra, apesar das promessas de campanha de Trump de pôr fim aos conflitos.

Enquanto a guerra se arrasta, a população de Kingsport permanece leal ao presidente, vendo na produção de armamentos uma forma de proteger o país e garantir empregos. A cidade se tornou um símbolo da intersecção entre fé, patriotismo e economia, em um momento de divisão nacional sobre os rumos da política externa americana.

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