Nesta segunda-feira (16), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) votou para manter o pai e o primo de Daniel Vorcaro em prisão preventiva, no âmbito das investigações do Caso Master. O único voto contrário foi do decano Gilmar Mendes, que criticou a condução da investigação e a comparou à Operação Lava-Jato. O relator do caso, ministro André Mendonça, defendeu o processo e, horas antes, retirou o sigilo de novas informações apuradas pela Polícia Federal. As revelações implicam ainda mais algumas figuras importantes da política brasileira, e Mendonça afirmou que “tem mais coisa por vir”.
A decisão do STF ocorre em meio a um cenário de crescente tensão política, com o escândalo do Banco Master expondo relações entre o sistema financeiro e o chamado centrão. Senadores, deputados e presidentes de partido são citados nas investigações, que apontam para um esquema de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e possíveis pagamentos de propina. A Polícia Federal já rejeitou a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, sinalizando que as provas coletadas são robustas o suficiente para prosseguir sem acordos.
Novas revelações e personagens
Entre os nomes que surgem nas investigações estão codinomes como “Sicário”, “Joana” e “Manolo”, que a PF identificou como operadores do esquema. A irmã de “Sicário” teria ameaçado revelar arquivos capazes de “acabar com a família” de Vorcaro, segundo documentos da PF. Além disso, a corporação investiga o pagamento de suítes em um hotel de luxo em Lisboa para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), ambos figuras centrais do centrão. O ex-chefe de cozinha da residência de Daniel Vorcaro também prestou depoimento à PF, afirmando ter sido ameaçado após deixar o emprego, com a justificativa de que “tinham muito medo de a gente tirar foto”.
Panorama político e reações
O caso Master já provoca reações no Congresso e no Executivo. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) cobrou investigação rigorosa na fraude do Banco Master, enquanto aliados do governo tentam evitar que o escândalo contamine a pauta econômica. A situação também acirra os ânimos entre os poderes, com o STF sendo alvo de críticas de setores do centrão que veem a investigação como uma perseguição política. O episódio mais recente do podcast “O Assunto”, do g1, traz uma entrevista com a jornalista Consuelo Dieguez, da revista piauí, que refaz a linha do tempo do escândalo e aponta novos caminhos que a investigação pode seguir. Dieguez é autora dos livros “Bilhões e Lágrimas” e “O Ovo da Serpente”, e acompanha o caso desde antes de a PF tornar públicas as investigações.
O podcast “O Assunto” é produzido por Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama, com apresentação de Natuza Nery. Desde a estreia, em agosto de 2019, o programa soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio e mais de 14,2 milhões de visualizações no YouTube.
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