CCJ do Senado aprova aposentadoria especial para agentes de saúde com impacto fiscal de R$ 99 bilhões

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (10), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece condições diferenciadas para a aposentadoria de agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. A medida, protocolada em 2021 pelo então deputado federal Dr. Leonardo (Republicanos-MT), com o apoio de outros parlamentares, pode gerar um impacto fiscal estimado em R$ 99 bilhões, segundo cálculos do governo federal. A aprovação ocorre em um momento de tensão entre o Executivo e o Legislativo, com o Ministério da Fazenda alertando para o risco de um rombo anual de R$ 111 bilhões devido a pautas-bomba em tramitação no Congresso.

A PEC aprovada na CCJ do Senado prevê aposentadoria integral e redução da idade mínima para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, categorias que atuam na linha de frente de programas como o Saúde da Família e o combate a doenças como dengue e malária. O texto, que ainda precisa ser votado em dois turnos no plenário do Senado e depois na Câmara dos Deputados, estabelece regras especiais de transição, com impacto direto nas contas da Previdência Social. O governo federal, por meio da equipe econômica, já havia sinalizado preocupação com o avanço de propostas que elevam gastos obrigatórios, especialmente em um cenário de ajuste fiscal e meta de déficit zero.

Panorama político e fiscal

A aprovação da PEC na CCJ do Senado ocorre em meio a um acirramento do debate sobre o controle de gastos públicos. O Ministério da Fazenda, sob o comando de Fernando Haddad, recalculou recentemente o impacto de pautas-bomba do Congresso e alertou para um rombo de R$ 111 bilhões por ano, caso todas as propostas em tramitação sejam aprovadas. Entre elas, destacam-se projetos que ampliam benefícios previdenciários, como a aposentadoria especial para agentes de saúde, e outras medidas que elevam despesas obrigatórias sem contrapartida de receitas. O governo tem buscado negociar com lideranças partidárias para evitar que essas propostas avancem, mas enfrenta resistência de setores do Legislativo, especialmente em ano eleitoral.

O impacto fiscal da PEC dos agentes de saúde é calculado em R$ 99 bilhões, valor que se soma a outras pautas-bomba, como a PEC que garante aposentadoria integral e reduz idade mínima para agentes de saúde e endemias, também aprovada pela CCJ do Senado. O cenário preocupa analistas e membros do governo, que veem risco de descontrole das contas públicas. O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, já manifestou apoio à posição da Fazenda contra as pautas-bomba, alertando que o impacto pode superar R$ 200 bilhões. A pressão sobre o orçamento é agravada por propostas que tramitam no Congresso, como a que ameaça o orçamento com impacto de R$ 2 trilhões em ano eleitoral, conforme reportagem do portal República do Povo.

Enquanto a PEC dos agentes de saúde segue para votação no plenário do Senado, o governo tenta articular uma estratégia para conter o avanço de pautas-bomba. A equipe econômica defende a necessidade de responsabilidade fiscal e alerta que a aprovação de medidas como essa pode comprometer o cumprimento do arcabouço fiscal e gerar pressão inflacionária. O debate promete se intensificar nas próximas semanas, com a volta do recesso parlamentar e a proximidade das eleições municipais, que costumam aumentar a pressão por gastos públicos.

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